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20.3.17

gosto imensamente desta fotografia
da saia rodada da Jupira
da minha orelha de abano
das crianças completamente entretidas
e de como seguram as xícaras
duas amigas queridas 

8.1.16

Aos domingos, quando lá íamos ao centro da cidade, meu pai passava pela banca de revistas de um amigo na Praça Sete, comprava o jornal e figurinhas para o meu álbum. Seguíamos pela Afonso Pena até a igreja São José. Durante a homilia, eu sabia que ele pensava em seus mortos e agradecia por estarmos com saúde. De pé, a cena que me vem à mente é de um semblante muito sério, o olhar compenetrado para frente. Sentado, tinha os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto coberto pelas mãos. Já as minhas mãos, elas estavam suficientemente ocupadas com ilustrações e sonhos para fazer o sinal da cruz. Hoje, sou eu a pensar em meus mortos e agradecer por estarmos com saúde. Ao reencontrar a igreja restaurada, imagino – com a expressão herdada  – que meu pai se alegraria de vê-la assim. 

 

 
sequência: Manoel Neto 

13.6.15

hoje é aniversário dele
 
que encontrei assim, outro dia, em meio a uma reforma
 
das muitas reformas que vivemos em Lisboa
 
ele, dividido em muitos, continua a caminhada silenciosa
 
enquanto furadeiras adentram nos ouvidos
 
do Chiado à Baixa Pombalina
 
com Fernando Pessoa
 
 
 

21.9.14


tempo das jabuticabas


sem chuva
desta vez vieram miúdas
ainda que muito doces

mas o poeta saiu em fuga
fez a mala

[camisas e loção de barba]

partiu para outros rumos



com Vicente Cardoso Vale