nino largou a vida no interior
vendeu fazenda, meia dúzia de bois
veio parar na capital
comprou lote e se instalou
numa casinha simples, luxo nenhum,
começou a criar aves
seu fascínio por elas era tão grande que uma vez envolveu o alpendre com tela e fez da frente da casa um viveiro enorme. por uma porta, a do corredor lateral, entrávamos no quarto-sala, e, por outra, a principal, entrávamos num cômodo mágico: pássaros, passarinhos, todos os tipos, até aves raras – protegidas pelo governo –, nino criava.
a casa foi ficando sem espaço. nas prateleiras, ao invés de livros, gaiolas. o faisão tinha vida de rei, dormia entre o telhado e a laje. no pequeno quintal, tipos atrapalhados, gansos, marrecos etc.
hoje, pela manhã, deve ter havido uma cantoria danada,
mas nino não estava mais lá para ouvir.
a vida guarda seus mistérios.
para vô nino
(1917-2005)
20.2.05
8.2.05
Nevoo* - para eassis
dentro de mim há um escuro...
faltam textos que queria rever.
onde está você?
pretendia discar, mas as mãos estavam ocupadas com o teclado nas últimas semanas...
onde está você?
voltei para 1999...
deserto, clarão, ventania...
fui ver o que estava fazendo.
já não tenho certeza se estou aqui ou lá.
neste lugar (negro) continuo tendo idéias para me safar da tempestade.
*comments in: www.nevoo.blogspot.com
dentro de mim há um escuro...
faltam textos que queria rever.
onde está você?
pretendia discar, mas as mãos estavam ocupadas com o teclado nas últimas semanas...
onde está você?
voltei para 1999...
deserto, clarão, ventania...
fui ver o que estava fazendo.
já não tenho certeza se estou aqui ou lá.
neste lugar (negro) continuo tendo idéias para me safar da tempestade.
*comments in: www.nevoo.blogspot.com
29.1.05
15.1.05
HOMBRE! (para eassis)
quanto menos entendo, melhor fica.
a prova de ser névoa, dulcinéias, a desmanchar no tempo.
*contrastes
em portugal: fala com ela
vejo a toureira agora, se aproximando.
mas não vejo a outra.
o saltitar do touro levanta poeira infinita.
essa mulher (de bronze) está por aí...
a deixar seu cheiro:
selvagem.
quanto menos entendo, melhor fica.
a prova de ser névoa, dulcinéias, a desmanchar no tempo.
*contrastes
em portugal: fala com ela
vejo a toureira agora, se aproximando.
mas não vejo a outra.
o saltitar do touro levanta poeira infinita.
essa mulher (de bronze) está por aí...
a deixar seu cheiro:
selvagem.
14.1.05
move
move
move
stop, stop, please...
right-right
move now...
a professora inglesa a dizer insistentemente para a turma de balé
mas a bailarina de azul pensava outras imagens
o ônibus vermelho passando;
o tempo meio cinza;
moças de capote;
sombrinhas coloridas;
um indiano, uma sueca, um raper francês – fazendo um som na esquina
a professora repetia, repetia
as meninas seguiam as instruções
circulavam, alternavam,
passos, passinhos soltos
sorriso
move, move...
a bailarina de azul tinha um encanto próprio
move
move
stop, stop, please...
right-right
move now...
a professora inglesa a dizer insistentemente para a turma de balé
mas a bailarina de azul pensava outras imagens
o ônibus vermelho passando;
o tempo meio cinza;
moças de capote;
sombrinhas coloridas;
um indiano, uma sueca, um raper francês – fazendo um som na esquina
a professora repetia, repetia
as meninas seguiam as instruções
circulavam, alternavam,
passos, passinhos soltos
sorriso
move, move...
a bailarina de azul tinha um encanto próprio
13.1.05
9.1.05
2.1.05
Em frente ao sobrado da Serra tem um telefone público.
Seria um telefone qualquer, sem graça, se daqui não se escutasse o que o outro, despercebido, tem a dizer.
Conversas soltas, vagas, declarações de amor, estupidez, palavrões.
Da janela do escritório ouço vozes ao vento.
Num desses dias (distraída), uma frase:
"O melhor é falar pouco de si e muito dos outros".
Assim, assim. Uma mulher ao telefone.
Uma frase, seca, que caberia a qualquer um,
mas é exatamente o clichê do escritor.
Seria um telefone qualquer, sem graça, se daqui não se escutasse o que o outro, despercebido, tem a dizer.
Conversas soltas, vagas, declarações de amor, estupidez, palavrões.
Da janela do escritório ouço vozes ao vento.
Num desses dias (distraída), uma frase:
"O melhor é falar pouco de si e muito dos outros".
Assim, assim. Uma mulher ao telefone.
Uma frase, seca, que caberia a qualquer um,
mas é exatamente o clichê do escritor.
26.12.04
la glaneuse
na cozinha do apartamento
vejo uma abelha (em seu bailarico diário)
percebe as flores da jardineira: rosadas, amarelas, alaranjadas...
voa baixo, mais baixo ainda
cai na calda de chocolate que está no pote
sai de lá toda zonza
zonzinha
descansa um pouco na pia
zzz... bzunn...
ajeita para voar novamente,
mas não acredita no que acaba de ver:
várias abelhas,
abelhudas,
sorrateiras,
se contentando com o mel industrializado
*entomologista do cotidiano
na cozinha do apartamento
vejo uma abelha (em seu bailarico diário)
percebe as flores da jardineira: rosadas, amarelas, alaranjadas...
voa baixo, mais baixo ainda
cai na calda de chocolate que está no pote
sai de lá toda zonza
zonzinha
descansa um pouco na pia
zzz... bzunn...
ajeita para voar novamente,
mas não acredita no que acaba de ver:
várias abelhas,
abelhudas,
sorrateiras,
se contentando com o mel industrializado
*entomologista do cotidiano
12.12.04
Para dois amigos que sobreviveram a um capotamento
Amanhã ia ter churrasco na mamãe, a gente ia ao supermercado comprar aquele doce de figo que as crianças tanto gostam, meu pai ia passar lá em casa para pegar emprestada a furadora e fazer as prateleiras para Si...
Tudo tão lento.
Então é assim, acabou?! – Fernanda pensava.
A sensação de estar caindo e não saber quando irá parar. O corpo flutua, solto, dentro do carro. Quando cessa, e vê que tudo está tranqüilo, Fernanda não sabe se está no céu ou no inferno.
São muitas luzes, coloridas, que cegam.
Era noite,
Fernanda suspirava.
Saiu pela janela direita. Sorte estar no banco de trás.
O marido não tinha se dado conta de que dormira por dois segundos.
Cochilara,
exausto.
Ganharam dois dias de folga no serviço.
Amanhã ia ter churrasco na mamãe, a gente ia ao supermercado comprar aquele doce de figo que as crianças tanto gostam, meu pai ia passar lá em casa para pegar emprestada a furadora e fazer as prateleiras para Si...
Tudo tão lento.
Então é assim, acabou?! – Fernanda pensava.
A sensação de estar caindo e não saber quando irá parar. O corpo flutua, solto, dentro do carro. Quando cessa, e vê que tudo está tranqüilo, Fernanda não sabe se está no céu ou no inferno.
São muitas luzes, coloridas, que cegam.
Era noite,
Fernanda suspirava.
Saiu pela janela direita. Sorte estar no banco de trás.
O marido não tinha se dado conta de que dormira por dois segundos.
Cochilara,
exausto.
Ganharam dois dias de folga no serviço.
11.12.04
Indefesa, a lagarta corre contra o tempo...
- Querido, temos jantar suculento!!! - Uma rolinha dizia a seu cônjuge.
- Que bom! Por hoje deixarei de atacar aquele intrigante pé de acerola. Ô pozinho infernal! - Respondeu sem piscar.
A lagarta, tão roliça, tão esverdeada, é pura clorofila.
Mas ninguém percebeu que, camuflado no troco da jabuticabeira, um calango, sorridente, escutava atencioso a conversa.
- Querido, temos jantar suculento!!! - Uma rolinha dizia a seu cônjuge.
- Que bom! Por hoje deixarei de atacar aquele intrigante pé de acerola. Ô pozinho infernal! - Respondeu sem piscar.
A lagarta, tão roliça, tão esverdeada, é pura clorofila.
Mas ninguém percebeu que, camuflado no troco da jabuticabeira, um calango, sorridente, escutava atencioso a conversa.
5.12.04
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