A estrela
Nasce a claridade.
As cores se espalham.
Mas a dor se abriga inteira.
Toda a luz se abisma.
(simples)
Derramar lírios.
Palavras, silêncio.
(para o ronaldo)
19.11.06
15.11.06
Plano de uma mulher deitando a imagem
11.11.06
23.10.06
o vento beija a água*
se tocar o alto da montanha sentirá o tempo
/[T]ir-ran/[!] ir/[T]ir-ran/[!]/[T]ir-ran/
ir ir ir
possível dizer ao vento
abrande o meu peito
ir ir ir
traga para meu corpo a agilidade dos pássaros a cortar o céu,
a força da tempestade
ir ir ir
sou urso, sou ar, sou pedra
homem pronto para beijar a água
ir ir ir
/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/
/OU/
*transcriação de música ensinada aos inuit pelo vento.
(para pierrou)
se tocar o alto da montanha sentirá o tempo
/[T]ir-ran/[!] ir/[T]ir-ran/[!]/[T]ir-ran/
ir ir ir
possível dizer ao vento
abrande o meu peito
ir ir ir
traga para meu corpo a agilidade dos pássaros a cortar o céu,
a força da tempestade
ir ir ir
sou urso, sou ar, sou pedra
homem pronto para beijar a água
ir ir ir
/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/
/OU/
*transcriação de música ensinada aos inuit pelo vento.
(para pierrou)
22.10.06
18.10.06
Antes dos 40
Não se tem como saber se o cara vai dar um artista,
salvo erro se ele for um gênio
e acabar por morrer cedo
de acidente, doença ou suicídio.
Lembrando que muitos morrem prematuramente,
não vingam,
expelidos pelo corpo da mãe
por algum motivo maior do que eles.
Maior ainda será o imenso silêncio.
Talvez aqui,
nesse lugar original,
esteja o cara.
Livre da sua jornada,
ausente de corpo, apelos, certezas,
e memória
- o intervalo que buscamos, ou a agônica saudade de uma feliz existência.
Aos sobreviventes,
resta não saber,
ou achar que se sabe,
vivendo.
A arte é um porrrrrrrrre...
(um bêbado virando a esquina, amparado pelas duas pernas,
em total descompasso).
Existência é mero detalhe, meus chuchus.
salvo erro se ele for um gênio
e acabar por morrer cedo
de acidente, doença ou suicídio.
Lembrando que muitos morrem prematuramente,
não vingam,
expelidos pelo corpo da mãe
por algum motivo maior do que eles.
Maior ainda será o imenso silêncio.
Talvez aqui,
nesse lugar original,
esteja o cara.
Livre da sua jornada,
ausente de corpo, apelos, certezas,
e memória
- o intervalo que buscamos, ou a agônica saudade de uma feliz existência.
Aos sobreviventes,
resta não saber,
ou achar que se sabe,
vivendo.
A arte é um porrrrrrrrre...
(um bêbado virando a esquina, amparado pelas duas pernas,
em total descompasso).
Existência é mero detalhe, meus chuchus.
12.10.06
Alma raiada
Há um sentimento mentiroso dentro da gente,
não arde.
Ficamos a tomar leite da caixa.
Estourar bolhas sobre a língua.
Sentir o ar entrar e sair,
o dente falhar.
Ouço da janela do quarto:
40º graus.
O cobertor está quentinho,
obrigada.
Animais atravessam ruas
entre carros e bicicletas.
(se der ouvidos aos amigos,
ficará como estátua)
Há quem delire com um pouco de febre.
- Saudade das vacas.
não arde.
Ficamos a tomar leite da caixa.
Estourar bolhas sobre a língua.
Sentir o ar entrar e sair,
o dente falhar.
Ouço da janela do quarto:
40º graus.
O cobertor está quentinho,
obrigada.
Animais atravessam ruas
entre carros e bicicletas.
(se der ouvidos aos amigos,
ficará como estátua)
Há quem delire com um pouco de febre.
- Saudade das vacas.
24.9.06
Onomatopoese*
TUM TI TI TUM pode ser apenas uma onomatopéia para o barulho do tambor.
Talvez possamos, com poesia, descobrir o intervalo-imagem que não necessite de letras garrafais para expressar o som desse instrumento que atravessa a infância
(aprendemos a bater com colher o prato).
Talvez essa imagem, ainda por vir, nos faça recordar da brilhante cena em que o BA-TI-TUM do tambor dessincroniza o discurso planejado de Hitler.
Talvez,
para o jovem Oskar,
fosse mesmo
apenas vontade de não crescer.


*homenagem 2 # ao cinema menor
O Tambor (Die Blechtrommel, 1979)
Direção Volker Schlöndorff
Baseado em livro de Günter Grass
Título em inglês: The tin drum
Talvez possamos, com poesia, descobrir o intervalo-imagem que não necessite de letras garrafais para expressar o som desse instrumento que atravessa a infância
(aprendemos a bater com colher o prato).
Talvez essa imagem, ainda por vir, nos faça recordar da brilhante cena em que o BA-TI-TUM do tambor dessincroniza o discurso planejado de Hitler.
Talvez,
para o jovem Oskar,
fosse mesmo
apenas vontade de não crescer.


*homenagem 2 # ao cinema menor
O Tambor (Die Blechtrommel, 1979)
Direção Volker Schlöndorff
Baseado em livro de Günter Grass
Título em inglês: The tin drum
22.9.06
Fotografia de Farrokhzad
Por que deveria parar, por quê?
Se a vida começa ali nos campos de trigo,
se eu posso correr até o peito arrebentar.
Daria meia volta
ou
chegaria até o fim,
onde me perderia.
Restariam apenas
rosas, um pequeno atalho.
Poesia.
"Sound, sound, sound,
Only sound remains" (FF)
* para oswaldo, por ter me apresentado o cinema menor
Se a vida começa ali nos campos de trigo,
se eu posso correr até o peito arrebentar.
Daria meia volta
ou
chegaria até o fim,
onde me perderia.
Restariam apenas
rosas, um pequeno atalho.
Poesia.
"Sound, sound, sound,
Only sound remains" (FF)
* para oswaldo, por ter me apresentado o cinema menor
21.9.06
12.9.06
6.9.06
4.9.06
a cozinha não era de ladrilho azul-claro
um armário branco não surgia da parede
nas portas, não havia losangos de treliça
prateleiras não exibiam panos quadriculadinhos de vermelho e branco
apenas vidro canelado nas janelas
e um refrigerador com tarja de madeira atravessada
sobre a mesa,
um bolo de fubá e biscoitos de polvilho frito
três xícaras
três gerações se encontrariam para tomar café
palavras no sono,
confusas.
*para minha mãe e vó doquinha
um armário branco não surgia da parede
nas portas, não havia losangos de treliça
prateleiras não exibiam panos quadriculadinhos de vermelho e branco
apenas vidro canelado nas janelas
e um refrigerador com tarja de madeira atravessada
sobre a mesa,
um bolo de fubá e biscoitos de polvilho frito
três xícaras
três gerações se encontrariam para tomar café
palavras no sono,
confusas.
*para minha mãe e vó doquinha
1.9.06
25.8.06
Quarta-feira, Julho 26, 2006*
inferno
Para Glaura
escrito de tempo de dor
Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
che la diritta via era smarrita
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!
Dante
e o arco se dobra e o fio timbra
uma dor profunda
os dedos sangram e o punho vibra em
àsperas veias
um gosto amargo na garganta
o timbre em dó
a garganta em nó
a flecha em rispe
o golpe e o furo
no porcelanato branco do chão
rastos rubros
escorregados
João Lúcio Penharvel
*retirado de confligerante
inferno
Para Glaura
escrito de tempo de dor
Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
che la diritta via era smarrita
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!
Dante
e o arco se dobra e o fio timbra
uma dor profunda
os dedos sangram e o punho vibra em
àsperas veias
um gosto amargo na garganta
o timbre em dó
a garganta em nó
a flecha em rispe
o golpe e o furo
no porcelanato branco do chão
rastos rubros
escorregados
João Lúcio Penharvel
*retirado de confligerante
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