quando vejo os pinheiros
altos e assustadores,
penso no jovem Winllink
poeta que, a respeito do amor,
disse ter encontrado
(no extremo norte)
uma flor de vidro.
25.12.06
19.12.06
17.12.06
10.12.06
3.12.06
2.12.06
de encontros e de mensagens

num simples gesto de apertar a tecla do telefone móvel,
assim como se abre uma caixa de correspondências,
além das urgências do dia:
um sorriso, uma flor.
pousar os braços sobre o corpo
deixar que a noite entre no quarto
sentir o tempo tocar o rosto
antes que me torne sonho,
ainda percebo:
pessoas na calçada, a chuva que cai inteira, o gato a arranhar o vidro.
(para carolina, ana c. e pat)
19.11.06
da leitura de "negro el diez" - cortázar
A estrela
Nasce a claridade.
As cores se espalham.
Mas a dor se abriga inteira.
Toda a luz se abisma.
(simples)
Derramar lírios.
Palavras, silêncio.
(para o ronaldo)
Nasce a claridade.
As cores se espalham.
Mas a dor se abriga inteira.
Toda a luz se abisma.
(simples)
Derramar lírios.
Palavras, silêncio.
(para o ronaldo)
15.11.06
Plano de uma mulher deitando a imagem
11.11.06
23.10.06
o vento beija a água*
se tocar o alto da montanha sentirá o tempo
/[T]ir-ran/[!] ir/[T]ir-ran/[!]/[T]ir-ran/
ir ir ir
possível dizer ao vento
abrande o meu peito
ir ir ir
traga para meu corpo a agilidade dos pássaros a cortar o céu,
a força da tempestade
ir ir ir
sou urso, sou ar, sou pedra
homem pronto para beijar a água
ir ir ir
/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/
/OU/
*transcriação de música ensinada aos inuit pelo vento.
(para pierrou)
se tocar o alto da montanha sentirá o tempo
/[T]ir-ran/[!] ir/[T]ir-ran/[!]/[T]ir-ran/
ir ir ir
possível dizer ao vento
abrande o meu peito
ir ir ir
traga para meu corpo a agilidade dos pássaros a cortar o céu,
a força da tempestade
ir ir ir
sou urso, sou ar, sou pedra
homem pronto para beijar a água
ir ir ir
/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/[!]/ir-rrá[n]/
/OU/
*transcriação de música ensinada aos inuit pelo vento.
(para pierrou)
22.10.06
18.10.06
Antes dos 40
Não se tem como saber se o cara vai dar um artista,
salvo erro se ele for um gênio
e acabar por morrer cedo
de acidente, doença ou suicídio.
Lembrando que muitos morrem prematuramente,
não vingam,
expelidos pelo corpo da mãe
por algum motivo maior do que eles.
Maior ainda será o imenso silêncio.
Talvez aqui,
nesse lugar original,
esteja o cara.
Livre da sua jornada,
ausente de corpo, apelos, certezas,
e memória
- o intervalo que buscamos, ou a agônica saudade de uma feliz existência.
Aos sobreviventes,
resta não saber,
ou achar que se sabe,
vivendo.
A arte é um porrrrrrrrre...
(um bêbado virando a esquina, amparado pelas duas pernas,
em total descompasso).
Existência é mero detalhe, meus chuchus.
salvo erro se ele for um gênio
e acabar por morrer cedo
de acidente, doença ou suicídio.
Lembrando que muitos morrem prematuramente,
não vingam,
expelidos pelo corpo da mãe
por algum motivo maior do que eles.
Maior ainda será o imenso silêncio.
Talvez aqui,
nesse lugar original,
esteja o cara.
Livre da sua jornada,
ausente de corpo, apelos, certezas,
e memória
- o intervalo que buscamos, ou a agônica saudade de uma feliz existência.
Aos sobreviventes,
resta não saber,
ou achar que se sabe,
vivendo.
A arte é um porrrrrrrrre...
(um bêbado virando a esquina, amparado pelas duas pernas,
em total descompasso).
Existência é mero detalhe, meus chuchus.
12.10.06
Alma raiada
Há um sentimento mentiroso dentro da gente,
não arde.
Ficamos a tomar leite da caixa.
Estourar bolhas sobre a língua.
Sentir o ar entrar e sair,
o dente falhar.
Ouço da janela do quarto:
40º graus.
O cobertor está quentinho,
obrigada.
Animais atravessam ruas
entre carros e bicicletas.
(se der ouvidos aos amigos,
ficará como estátua)
Há quem delire com um pouco de febre.
- Saudade das vacas.
não arde.
Ficamos a tomar leite da caixa.
Estourar bolhas sobre a língua.
Sentir o ar entrar e sair,
o dente falhar.
Ouço da janela do quarto:
40º graus.
O cobertor está quentinho,
obrigada.
Animais atravessam ruas
entre carros e bicicletas.
(se der ouvidos aos amigos,
ficará como estátua)
Há quem delire com um pouco de febre.
- Saudade das vacas.
24.9.06
Onomatopoese*
TUM TI TI TUM pode ser apenas uma onomatopéia para o barulho do tambor.
Talvez possamos, com poesia, descobrir o intervalo-imagem que não necessite de letras garrafais para expressar o som desse instrumento que atravessa a infância
(aprendemos a bater com colher o prato).
Talvez essa imagem, ainda por vir, nos faça recordar da brilhante cena em que o BA-TI-TUM do tambor dessincroniza o discurso planejado de Hitler.
Talvez,
para o jovem Oskar,
fosse mesmo
apenas vontade de não crescer.


*homenagem 2 # ao cinema menor
O Tambor (Die Blechtrommel, 1979)
Direção Volker Schlöndorff
Baseado em livro de Günter Grass
Título em inglês: The tin drum
Talvez possamos, com poesia, descobrir o intervalo-imagem que não necessite de letras garrafais para expressar o som desse instrumento que atravessa a infância
(aprendemos a bater com colher o prato).
Talvez essa imagem, ainda por vir, nos faça recordar da brilhante cena em que o BA-TI-TUM do tambor dessincroniza o discurso planejado de Hitler.
Talvez,
para o jovem Oskar,
fosse mesmo
apenas vontade de não crescer.


*homenagem 2 # ao cinema menor
O Tambor (Die Blechtrommel, 1979)
Direção Volker Schlöndorff
Baseado em livro de Günter Grass
Título em inglês: The tin drum
22.9.06
Fotografia de Farrokhzad
Por que deveria parar, por quê?
Se a vida começa ali nos campos de trigo,
se eu posso correr até o peito arrebentar.
Daria meia volta
ou
chegaria até o fim,
onde me perderia.
Restariam apenas
rosas, um pequeno atalho.
Poesia.
"Sound, sound, sound,
Only sound remains" (FF)
* para oswaldo, por ter me apresentado o cinema menor
Se a vida começa ali nos campos de trigo,
se eu posso correr até o peito arrebentar.
Daria meia volta
ou
chegaria até o fim,
onde me perderia.
Restariam apenas
rosas, um pequeno atalho.
Poesia.
"Sound, sound, sound,
Only sound remains" (FF)
* para oswaldo, por ter me apresentado o cinema menor
21.9.06
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