As horas que separam a noite da entrevista
O lugar mais confortável
A escrita?
20.11.08
14.11.08
[Ritornelo]
Começar com gestos repetitivos
Abrir mais de uma vez a porta antes de sair de casa
[ver se a chave do gás está virada,
se o ferro está desligado]
Abrir mais uma vez a casa
Abrir mais de uma vez a porta antes de sair de casa
[ver se a chave do gás está virada,
se o ferro está desligado]
Abrir mais uma vez a casa
13.11.08
12.11.08
Pergunta não feita a Carlos Alberto Prates Correia
Em Cabaré Mineiro, após a canção enlevada pelo personagem anônimo de Nelson Dantas e a bela jovem, cena que nos encanta pela delicadeza do gesto amoroso, a onça-mulher é morta pelo personagem em seguida.
Medo ou amor de morte?
Medo ou amor de morte?
18.10.08
dos encontros não programados*
Morrer em Dionísio
Renascer em Pessoa
É de Bethânia o canto atravessado no amor
você está na noite
jamais pegará o telefone
e ligará para ela
mas não deixará de ler jornais
-----
*para kk, joão e rafa
Renascer em Pessoa
É de Bethânia o canto atravessado no amor
você está na noite
jamais pegará o telefone
e ligará para ela
mas não deixará de ler jornais
-----
*para kk, joão e rafa
17.10.08
dos desejos dos poetas
O poema, também uma espécie de traição?
Quantos escritos não postados
Em umas poucas palavras poderia lhe revelar o mundo
(amor)
sentimentos não se escondem numa gaveta
(falsa impressão)
Do portão ao quarto,
sete, oito lances de escada
Menino dos olhos
(floresta)
incapacidade do corpo:
magoar quem não mereça
Quantos escritos não postados
Em umas poucas palavras poderia lhe revelar o mundo
(amor)
sentimentos não se escondem numa gaveta
(falsa impressão)
Do portão ao quarto,
sete, oito lances de escada
Menino dos olhos
(floresta)
incapacidade do corpo:
magoar quem não mereça
5.10.08
Notas para uma biografia s/d
Jogaram suas valises no trem
Partiram pouco antes do galo cantar
Para o Rio de Janeiro
Nicolau e seu pai almoçam no vagão restaurante ao meio-dia em ponto
A passagem pela capital mineira será lembrada em encontros banais
Lufada nas pestanas
A comida sacolejando no estômago
Partiram pouco antes do galo cantar
Para o Rio de Janeiro
Nicolau e seu pai almoçam no vagão restaurante ao meio-dia em ponto
A passagem pela capital mineira será lembrada em encontros banais
Lufada nas pestanas
A comida sacolejando no estômago
4.10.08
Notas de Nicolau Paropas
seja paciente com os vaidosos
deixe que inflem o ego
permita-lhes dizer mais do que deveriam
que haja surdina!
conquistarás o mundo
deixe que inflem o ego
permita-lhes dizer mais do que deveriam
que haja surdina!
conquistarás o mundo
28.9.08
O dia depois do dia
Amor mal curado se resolve na ressaca
No diálogo com o vaso sanitário,
percebe-se a potência do corpo
A tentativa desesperadora de retificar a merda de uma embriaguez
No diálogo com o vaso sanitário,
percebe-se a potência do corpo
A tentativa desesperadora de retificar a merda de uma embriaguez
24.9.08
À maneira de Nicolau Paropas
Os poemas falam a dor, a desonra, a desforra
Também as cabrochas, o desespero, o amor
Um jovem, um tiro, três décadas atrás
No guión, propostas indecorosas
Durante semanas, o peso do tempo
Sorriso a derreter os dentes
Morte, engano
Sentados à mesa
– Prato de sopa, água, pão, azeite para regar
Também as cabrochas, o desespero, o amor
Um jovem, um tiro, três décadas atrás
No guión, propostas indecorosas
Durante semanas, o peso do tempo
Sorriso a derreter os dentes
Morte, engano
Sentados à mesa
– Prato de sopa, água, pão, azeite para regar
23.9.08
Tempo das chuvas
Recebeu a notícia deixando cair a caixa de miudezas
Decerto não entendia a língua
Apenas viu o sorriso indeciso nos lábios de Nicolau
e uma pequena mala no alpendre da casa
Nesse ano, os ipês tardaram a florescer
Sons a povoar os dias
Decerto não entendia a língua
Apenas viu o sorriso indeciso nos lábios de Nicolau
e uma pequena mala no alpendre da casa
Nesse ano, os ipês tardaram a florescer
Sons a povoar os dias
13.9.08
παλίμψηστος
A escrita de Nicolau se mantém à maneira dos palimpsestos
Um vestígio foi encontrado à Rua dos Guajajaras
Na parede do edifício, palavras sobrepostas
Dentre elas riscar
(duas, três vezes ao dia)
O tempo se encarregou de lavar a segunda Isidora
Um vestígio foi encontrado à Rua dos Guajajaras
Na parede do edifício, palavras sobrepostas
Dentre elas riscar
(duas, três vezes ao dia)
O tempo se encarregou de lavar a segunda Isidora
5.9.08
3.9.08
Por volta de 1940*
Seria necessário consultar sistematicamente os arquivos
(como Nava)
Para encontrar a rua exata
Por onde transitou Nicolau Paropas
Dizem que em 1940 esteve em Belo Horizonte
Por causa de um seminário sobre prótese dentária
Na época, seu pai era um respeitado dentista e
francês
Caminhando pela rua
(cujos versos até hoje estariam impressos na calçada)
Nicolau viu Isidora
Nunca se falaram, tampouco se entreolharam
Apenas o poeta,
Com o ar ainda preso no peito,
Experimentou tamanha leveza
---------
* para eassis, para garro
(como Nava)
Para encontrar a rua exata
Por onde transitou Nicolau Paropas
Dizem que em 1940 esteve em Belo Horizonte
Por causa de um seminário sobre prótese dentária
Na época, seu pai era um respeitado dentista e
francês
Caminhando pela rua
(cujos versos até hoje estariam impressos na calçada)
Nicolau viu Isidora
Nunca se falaram, tampouco se entreolharam
Apenas o poeta,
Com o ar ainda preso no peito,
Experimentou tamanha leveza
---------
* para eassis, para garro
31.8.08
Cosmogonia*
Primeiro foi a água
Dos seres que dela surgiram
Homens-peixe desejaram caminhar
Fez-se então uma terra vermelha
Diferentemente da que haviam experimentado no oceano,
Uma poeira ainda mais fina ofuscou-lhes a visão
Descobriram o vento
O calor a arder as têmporas
Aprenderam a tanger a terra com gotas de suor
Fizeram instrumentos
Descobriu-se que o céu já existia há anos
Mais tarde, sua infinita beleza
Inventaram o vinho
Por vezes a pequenez os apanhava completos
Majestosos no tempo
Fugidios, os poetas
Seus olhos
A floresta que veio depois
Da cicatriz escorria-se um líquido pegajoso
Surgiram ruas e avenidas
O barulho dos carros a atravessar-lhes a noite
Previram o desaparecimento da água
Mas não quiseram o retorno
Preferiram compor sinfonias
Ode às estrelas
------------------------------------------------
*para Bu Guanambis e Rafa Barros
Dos seres que dela surgiram
Homens-peixe desejaram caminhar
Fez-se então uma terra vermelha
Diferentemente da que haviam experimentado no oceano,
Uma poeira ainda mais fina ofuscou-lhes a visão
Descobriram o vento
O calor a arder as têmporas
Aprenderam a tanger a terra com gotas de suor
Fizeram instrumentos
Descobriu-se que o céu já existia há anos
Mais tarde, sua infinita beleza
Inventaram o vinho
Por vezes a pequenez os apanhava completos
Majestosos no tempo
Fugidios, os poetas
Seus olhos
A floresta que veio depois
Da cicatriz escorria-se um líquido pegajoso
Surgiram ruas e avenidas
O barulho dos carros a atravessar-lhes a noite
Previram o desaparecimento da água
Mas não quiseram o retorno
Preferiram compor sinfonias
Ode às estrelas
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*para Bu Guanambis e Rafa Barros
28.8.08
Novamante*
Pequena imagem num selo
Um homem tocando piano - Liszt
(corta para)
Mulher segurando espelho
De Portinari a primeira
Novamante a segunda
-------------------------------
* para edu
Um homem tocando piano - Liszt
(corta para)
Mulher segurando espelho
De Portinari a primeira
Novamante a segunda
-------------------------------
* para edu
18.8.08
Das dinâmicas do dia
17.8.08
Monte Alegre
Provavelmente
Na Grécia Antiga
As mulheres (tendo voz)
Clamando por seus filhos
Encheriam
de porrada
A boca recalcada dos fazedores de guerra
Sem dentes,
O poeta
Uma besta-quadrada
A guerra,
Invenção dos homens
para a multiplicação de filmes enlatados
Açoitar o inimigo
com palavras vulgares
Coisa do fascismo
Na Grécia Antiga
As mulheres (tendo voz)
Clamando por seus filhos
Encheriam
de porrada
A boca recalcada dos fazedores de guerra
Sem dentes,
O poeta
Uma besta-quadrada
A guerra,
Invenção dos homens
para a multiplicação de filmes enlatados
Açoitar o inimigo
com palavras vulgares
Coisa do fascismo
10.8.08
Jonathan Mangabeira
Não compreendo seu sorriso
Ri para mim dizendo até logo
Nos pés o suor do asfalto
(becos, avenidas, BRs)
Nas mãos marcas esferográficas
Poderia caber o mundo em versos rimados
Escrever caminhando
Poeta
Vinte e quatro horas por dia
Ri para mim dizendo até logo
Nos pés o suor do asfalto
(becos, avenidas, BRs)
Nas mãos marcas esferográficas
Poderia caber o mundo em versos rimados
Escrever caminhando
Poeta
Vinte e quatro horas por dia
9.8.08
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