19.4.13

há muito não escrevo um poema
para revelar o que sinto


dizer, ao pousar a cabeça no seu ombro,
que sonho o infinito


lá não há dor, nem tormento
apenas sono profundo


hoje vi o dia amanhecer no seu quarto
olhei você dormindo


todas às vezes que o encontro sem hora e lugar
meu corpo estremece


tenho vontade de lhe abraçar
mas hesito


não sabendo o que dizer
escondo-me nas conversas alheias


porque uma insegurança se instala
como o amor cravado na pedra


3.12.12

como nasce um poema*


Pela fresta da janela 

atravessa um galho

enquanto você 

sonha árvores 



Sobre o seu corpo

calo o meu corpo

e na sua boca

deito a minha boca



Permita em seu sonho

que eu adentre inteira

como esta luz

que invade o quarto




*enquanto dormia,

a sombra das árvores

acariciava a parede branca





26.10.12


Pousou sobre mim

Um anjo de asa partida

E dorme profundamente

Atravessando a madrugada


Seus olhos são tenros

Pele clara que cega o dia

A boca é pura água

No meu corpo percorrendo


Se na vida a gente quis

Dizer um ao outro

Aquilo que deveras sente

Os corpos calam e não mentem

17.10.12

Caros amigos e leitores,

depois de 8 anos de escrita quase diária tirei temporariamente o Tempestade do ar. Ruptura necessária para renovar este espaço de publicação e começar a preparação do livro que deverá vir após a defesa da tese.

Por isso o acesso agora está restrito. 

Muito obrigada por sempre.

Um beijo,
Glaura.

7.10.12


Sicília 


a vi tão viva outro dia

olhos brilhantes 

largo sorriso

um, dois, três

sempre morre um amigo


envolvida pelo Mediterrâneo 

ilha que vê os homens agora chorarem

a tragédia de outros homens

cantam os poetas

luto e dor


(para a Brisa que hoje lembrou de um dia em que tudo era ainda o começo 
e havia muita vida)

20.9.12

Os nossos corpos falarão no escuro do quarto

a você todo o meu amor 


nesta e em outra vida



O jovem soldado rente ao chão


suas lágrimas adentram na terra 


não nasce uma só flor



6.9.12


cinco mil pessoas 
uma ciranda 
a coisa mais linda que vivi nos últimos tempos

oh Dandaraoh Dandara oh, 
a nossa luta aqui vale mais que ouro em pó



31.8.12


leio um livro 

cartas de guerra

cochilo por um segundo na rede 

enquanto balança


o sol queima o rosto

neste despertar da manhã


penso nos afazeres da casa

no rio em você

30.8.12

sendo sua nesta noite 

em que a lua permanece cheia

você vem e adentra inteiro


mergulha em água corrente

buscando abrigo

no meu peito


minha língua percorrendo sua boca

encontra suavidade juventude 

sem abandono


meu corpo espera

a cama o espera

o quarto preparado para os dois



(para você, meu segredo)

21.8.12

levanto liberta luz

vontade de poesia

sentimento fecundo

que em mim habita  


palavras como ventania

buscando a imagem mais uma vez do rio


ah o rio 

atravessa nosso espírito

águas cheias de saudade

amor e sal

19.8.12


Condenada a viver em nostalgia

Permaneço na cama que o recebe

Penso enquanto leio

O bicho se levantando do assoalho

Comendo restos sobre um jornal

Na noite que atravessa insone

O silêncio do dia que não vem



14.8.12

guarani dorme sono tranquilo 
na cama de amar quem queira amor
sonha o poeta
se tornando parte dele
guarani deita a saliva na concha da língua
tudo que sonha o sonhador 


29.7.12



Adraga


Quantas promessas em frente ao mar?

Tantos pedidos ainda por fazer

A impossibilidade de amar apenas um

Embora, quando me possui em seu quarto,

Faço-me inteiramente sua

Apenas sua



Em frente ao mar das promessas

Vejo que em mim habita

Sentimentos capazes de mover meu espírito

E nesse mar gelado 

Busco mais uma vez 

O seu corpo sobre o meu 

6.7.12

sobre quando nasci morri
o gosto líquido denso na garganta
ainda hoje sonho sufocar o ventre
à espera da manhã seguinte 
depois da nossa pequena morte 



1.7.12


Saudação do Anjo

vejo ao longe um rio
que corre entre montanhas
duas mulheres e uma criança

o vento abre minhas asas
com tal força
que me leva para um lugar distante

não posso voltar,
banhar nessas águas
e acariciar sua face

vou de costas para o futuro
para lembrar dessa imagem
que o tempo tornará fragmento

meus grandes olhos
que sempre viram ruínas
agora veem a paisagem

pintada à mão
num prato



25.6.12

Na sua maneira de olhar por dentro 
vejo embarcações 
o sol iluminar a morte
como se houvesse luz nas trevas

Alguns não regressaram
do mergulho em águas turvas
o mar a roncar, a roncar 
perturbando o sonho

Mas você, marinheiro,
voltou abraçado à noite
trazendo os peixes do mar
e uma flor para coroar Iemanjá





23.6.12

marinheiro bonito
que a sereia do mar levou
dorme sono tranquilo



peixe 
olhou sem olhar
o marinheiro no colo de Iemanjá


oxalá Deus permita
que seu beijo na minha boca
dure uma vida 




8.6.12


és belo homem e poeta 

ela todo amor  
flor pássaro mulher água
sua índia guarani
que em seu ombro repousa  
e lambe a sua boca
mel ardor

vem, amor guarani
tocar o ventre que acolhe e deseja
vem
não demora

entre o nascer e o morrer
está o tempo
a árvore silêncio agora

30.5.12


o olho do poeta


assim como o rio
que reflete nossa alma
sua luz atravessa meu corpo 
e alcança o espírito
transformando tempestade em calmaria


outro dia me vi refletida em seus olhos
sou pássaro 
e não sabia