la glaneuse
na cozinha do apartamento
vejo uma abelha (em seu bailarico diário)
percebe as flores da jardineira: rosadas, amarelas, alaranjadas...
voa baixo, mais baixo ainda
cai na calda de chocolate que está no pote
sai de lá toda zonza
zonzinha
descansa um pouco na pia
zzz... bzunn...
ajeita para voar novamente,
mas não acredita no que acaba de ver:
várias abelhas,
abelhudas,
sorrateiras,
se contentando com o mel industrializado
*entomologista do cotidiano
26.12.04
12.12.04
Para dois amigos que sobreviveram a um capotamento
Amanhã ia ter churrasco na mamãe, a gente ia ao supermercado comprar aquele doce de figo que as crianças tanto gostam, meu pai ia passar lá em casa para pegar emprestada a furadora e fazer as prateleiras para Si...
Tudo tão lento.
Então é assim, acabou?! – Fernanda pensava.
A sensação de estar caindo e não saber quando irá parar. O corpo flutua, solto, dentro do carro. Quando cessa, e vê que tudo está tranqüilo, Fernanda não sabe se está no céu ou no inferno.
São muitas luzes, coloridas, que cegam.
Era noite,
Fernanda suspirava.
Saiu pela janela direita. Sorte estar no banco de trás.
O marido não tinha se dado conta de que dormira por dois segundos.
Cochilara,
exausto.
Ganharam dois dias de folga no serviço.
Amanhã ia ter churrasco na mamãe, a gente ia ao supermercado comprar aquele doce de figo que as crianças tanto gostam, meu pai ia passar lá em casa para pegar emprestada a furadora e fazer as prateleiras para Si...
Tudo tão lento.
Então é assim, acabou?! – Fernanda pensava.
A sensação de estar caindo e não saber quando irá parar. O corpo flutua, solto, dentro do carro. Quando cessa, e vê que tudo está tranqüilo, Fernanda não sabe se está no céu ou no inferno.
São muitas luzes, coloridas, que cegam.
Era noite,
Fernanda suspirava.
Saiu pela janela direita. Sorte estar no banco de trás.
O marido não tinha se dado conta de que dormira por dois segundos.
Cochilara,
exausto.
Ganharam dois dias de folga no serviço.
11.12.04
Indefesa, a lagarta corre contra o tempo...
- Querido, temos jantar suculento!!! - Uma rolinha dizia a seu cônjuge.
- Que bom! Por hoje deixarei de atacar aquele intrigante pé de acerola. Ô pozinho infernal! - Respondeu sem piscar.
A lagarta, tão roliça, tão esverdeada, é pura clorofila.
Mas ninguém percebeu que, camuflado no troco da jabuticabeira, um calango, sorridente, escutava atencioso a conversa.
- Querido, temos jantar suculento!!! - Uma rolinha dizia a seu cônjuge.
- Que bom! Por hoje deixarei de atacar aquele intrigante pé de acerola. Ô pozinho infernal! - Respondeu sem piscar.
A lagarta, tão roliça, tão esverdeada, é pura clorofila.
Mas ninguém percebeu que, camuflado no troco da jabuticabeira, um calango, sorridente, escutava atencioso a conversa.
5.12.04
27.11.04
21.11.04
20.11.04
Entrou na casa por volta das 2 horas da manhã.
Tudo parecia silencioso, até o cão não latiu. Marco já estava em sono profundo, vendo Bia, rindo Bia, lambendo Bia.
Abriu a porta do quarto. Apreciava o corpo, iluminado pela luz enfraquecida do abajur. Quis tocar o rosto, mas pensou.
Num outro instante (mais dedicada) viu um sorriso terno se completando.
Marco sonhava.
Então se despiu, vestiu uma seda,
deitou.
Antes de apagar a luz, olhou mais uma vez para o homem.
Pele macia, cabelos envolvidos.
Fechou os olhos,
não quis pensar em mais nada.
Tudo parecia silencioso, até o cão não latiu. Marco já estava em sono profundo, vendo Bia, rindo Bia, lambendo Bia.
Abriu a porta do quarto. Apreciava o corpo, iluminado pela luz enfraquecida do abajur. Quis tocar o rosto, mas pensou.
Num outro instante (mais dedicada) viu um sorriso terno se completando.
Marco sonhava.
Então se despiu, vestiu uma seda,
deitou.
Antes de apagar a luz, olhou mais uma vez para o homem.
Pele macia, cabelos envolvidos.
Fechou os olhos,
não quis pensar em mais nada.
15.11.04
14.11.04
13.11.04
só me recordo do mar
o resto ficou manchado
poeirinha fina
daqui, a vista fica mais embaçada
deixa eu ver...
é simpático sim,
como não!?
***
(versão esquecida no fundo de uma gaveta)
da fotografia só me recordo do mar
o resto ficou manchado
lágrimas e borra de café
aqui a poeira toma conta
mas ele é simpático,
como não?!
amei sim,
no more.
o resto ficou manchado
poeirinha fina
daqui, a vista fica mais embaçada
deixa eu ver...
é simpático sim,
como não!?
***
(versão esquecida no fundo de uma gaveta)
da fotografia só me recordo do mar
o resto ficou manchado
lágrimas e borra de café
aqui a poeira toma conta
mas ele é simpático,
como não?!
amei sim,
no more.
headphones - para ana luiza
genius to fall asleep to your tape last night
so warm
sounds go through the muscles
these abstract wordless movements
they start off cells that haven't been touched
before
These cells are virgins
waking up slowly
my headphones
they saved my life
your tape
it lulled me to
sleep
nothing will be the same
I'm fast asleep
I like this resonance
it elevates me
I don't recognize myself
this is very interesting
my headphones
they saved
my life
your tape
it lulled me to sleep
I'm fast asleep now
I'm fast
asleep
my headphones
they saved my life
your tape
it lulled me to
sleep
(björk - post)
genius to fall asleep to your tape last night
so warm
sounds go through the muscles
these abstract wordless movements
they start off cells that haven't been touched
before
These cells are virgins
waking up slowly
my headphones
they saved my life
your tape
it lulled me to
sleep
nothing will be the same
I'm fast asleep
I like this resonance
it elevates me
I don't recognize myself
this is very interesting
my headphones
they saved
my life
your tape
it lulled me to sleep
I'm fast asleep now
I'm fast
asleep
my headphones
they saved my life
your tape
it lulled me to
sleep
(björk - post)
10.11.04
crônica
o que mais me intriga na escola de direito é aquele sinal. me faz lembrar o primário, em que um barulho de sirene anunciava o término do recreio ou o fim da aula.
vejo rapazes em seus ternos bem comportados, e moças, cada uma exibindo seu corte.
o anjo exterminador ?
na cantina, uns caras jogam truco.
há um cheiro insuportável de macarrão na chapa.
alguém come ruidosamente.
(embrulho no estômago)
desço as escadas, atravesso o prédio.
placas de metal exibem nomes de formandos. são como lápides.
(ou) o sonho de eternidade.
entro no jardim central.
contemplando um bem-te-vi, percebo que o lugar não está completamente perdido.
o que mais me intriga na escola de direito é aquele sinal. me faz lembrar o primário, em que um barulho de sirene anunciava o término do recreio ou o fim da aula.
vejo rapazes em seus ternos bem comportados, e moças, cada uma exibindo seu corte.
o anjo exterminador ?
na cantina, uns caras jogam truco.
há um cheiro insuportável de macarrão na chapa.
alguém come ruidosamente.
(embrulho no estômago)
desço as escadas, atravesso o prédio.
placas de metal exibem nomes de formandos. são como lápides.
(ou) o sonho de eternidade.
entro no jardim central.
contemplando um bem-te-vi, percebo que o lugar não está completamente perdido.
7.11.04
(para Lélia)
Clara, Mariana, Luiza, Catarina
Todas amigas de infância
Clara casou-se com Virgílio
Mariana descobriu Sara
Luiza mudou-se para Lisboa,
(manda presentes e cartão postal)
Catarina, deitada na grama,
lê A árvore das palavras
vez em quando ela se esquiva
a contemplar o pé carregado de amoras,
a hortelã, que se alastra pelo canteiro,
orquídeas, bailarinas, com suas saias de babado,
que enfeitam o jardim da casa
onde vive com os pais
Clara, Mariana, Luiza, Catarina
Todas amigas de infância
Clara casou-se com Virgílio
Mariana descobriu Sara
Luiza mudou-se para Lisboa,
(manda presentes e cartão postal)
Catarina, deitada na grama,
lê A árvore das palavras
vez em quando ela se esquiva
a contemplar o pé carregado de amoras,
a hortelã, que se alastra pelo canteiro,
orquídeas, bailarinas, com suas saias de babado,
que enfeitam o jardim da casa
onde vive com os pais
a noite – enorme
tudo dorme
menos teu nome
-- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda
amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
(Paulo Leminski)
tudo dorme
menos teu nome
-- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda
amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
(Paulo Leminski)
monologo
na falta do que dizer invento uma situação
se ela não corresponde,
reinvento a vida
assim falo todos os dias
com o coração virado para o oriente (possível?)
penso em você, sentado no escritório
nas prateleiras pessoas se misturam
o olho pisca
a boca (em Ó) anuncia o fim da tarde
– estamos todos exaustos. alguém mencionou?
antes de ir pra cama,
ajeita os livros
(numa sensação de que tudo está ali)
um copo de leite, rosquinhas de açúcar
a luz se apaga
seus sonhos
*incompreensíveis
na falta do que dizer invento uma situação
se ela não corresponde,
reinvento a vida
assim falo todos os dias
com o coração virado para o oriente (possível?)
penso em você, sentado no escritório
nas prateleiras pessoas se misturam
o olho pisca
a boca (em Ó) anuncia o fim da tarde
– estamos todos exaustos. alguém mencionou?
antes de ir pra cama,
ajeita os livros
(numa sensação de que tudo está ali)
um copo de leite, rosquinhas de açúcar
a luz se apaga
seus sonhos
*incompreensíveis
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