meu cabelo ondula com o vento… ondula?
estou ficando irritada. mesmo sem motivo, sabe.
é como ter o intestino sempre preso. não se presta: pra nada.
15.1.06
12.1.06
27.12.05
Ava Gardner
22.12.05
scrapbook
2.12.05
EQUIPE
domingo

água, café:

pessoas

pessoas

pessoas

pessoas confabulando

um antropólogo:

le chat:

a mulher:

patrya yndya yracema do brasyl
a noite segue...

nós! os etnográficos:

os deuses devem estar loucos

3 da manhã


solar

segunda-feira...

JUPIRA!!!

foto de pessoas: carla maia
foto de copos, garrafas e pizzas: glaura c. vale
foto P&B: francilins castilho leal
ilustração: postal canadense

água, café:

pessoas

pessoas

pessoas

pessoas confabulando

um antropólogo:

le chat:

a mulher:

patrya yndya yracema do brasyl
a noite segue...

nós! os etnográficos:

os deuses devem estar loucos

3 da manhã


solar

segunda-feira...

JUPIRA!!!

foto de pessoas: carla maia
foto de copos, garrafas e pizzas: glaura c. vale
foto P&B: francilins castilho leal
ilustração: postal canadense
29.11.05
*PLIN! not found
o que teria acontecido com o dicção aleatória?
***
REGISTROS RECUPERADOS:
AGOSTO 20
para lembrar de helena
se olhar à sua volta perceberá elementos desta intenção de poesia
passará a mão pela mesa e sentirá uma poeirinha fina
descaso com os afazeres domésticos
no alto,
três prateleiras abarrotadas de livros
na mesinha ao lado
agenda de telefone, calculadora, CDs...
apostilas e a carta
que diz:
Querido Greco,
não estou mais em mim
agora só desejo pegar aquele avião
partir pra África
encontrar o amor que se perdeu na guerra
e que não voltou com os outros em 1975.
Cuide-se,
Helena.
AGOSTO 4
Queria postar um texto aqui...
Mas os dedos estão a sangrar.
JULHO 31
O dia em que conheci um escritor em NY
Entrei num café da East Village fugindo da chuva. Nunca havia estado ali antes. Fiquei deslumbrada. Observava tudo e todos. O mostrador de vidro e seus inúmeros produtos. Aquilo era quase uma instalação, só que aqui os objetos se movimentavam entre uma conta e outra,
nunca a mesma vitrine.
Sempre havia um cliente ansioso por um cubano ou um canivete quebra-galho. Admirava também os tecidos. As roupas oscilavam entre o vermelho, o marrom lavado e o bege.
No caixa, uma mulher solitária e seu avental cor de folha seca.
Era quase verão. Ventava muito. Pessoas entrando e saindo do café. Mesas lotadas. Tive que me contentar com o balcão: a cup of coffe, please!?.
Foi aí que o vi.
Um sorrisinho no canto da boca, denúncia de um certo nervosismo, olhar atravessado.
Pensei em timidez.
Não parecia estar animado para o lanche, alguma coisa havia acontecido com ele naquela tarde?
Sonorizava.
Cabelo grisalho. Blusa de lã preta, gola até o queixo. Casaco de couro no encosto da cadeira. Uma caderneta de telefone.
A minha vida estava se perdendo. Eu já acreditava no amor. Em que meu devaneio consistia?
Aquela talvez fosse a única hora para eu me aproximar e dizer: you are a...
Esqueci o café e passei para o copo de conhaque do senhor de blue jeans...
Num impulso,
a gente tinha tudo para dar certo.
Mandei bilhete? Entrei numa briga desgraçada com o garçom porque ele me disse que aquilo não era hábito da casa e eu tentei explicar que eu conhecia o John, fosse esse o nome dele. E que a gente sempre iniciava nossos encontros numa troca de bilhetes. Uma brincadeirinha de amigos apaixonados. O garçom disse lá que eu me enganara, aquele não era o John e eu deveria me conformar com isso. Mas como não era?!... Aquele que eu conheci há dias na Barnes & Noble?! Que conversei horas no trem... não era o Johnny?! Não, John ele não poderia ser, repetiu o garçom. Este dái é... e falou horas, explicou, re-explicou...
O garçom me convenceu a deixar a idéia do bilhete... não perturbaria um grande escritor da cidade... que levaria New Jersey para o topo do mercado editorial, seria o então mais traduzido do mundo... e ainda me disse que ele era excêntrico, várias mulheres insanas já haviam mandado bilhetes e que deixava de freqüentar os lugares por isso, blá blá blá...
Concordei... John não poderia ser mesmo escritor, e, pra ser franca, não se parecia com Paul Auster...
DITO POR NÃO DITO POR GLAURA
***
REGISTROS RECUPERADOS:
AGOSTO 20
para lembrar de helena
se olhar à sua volta perceberá elementos desta intenção de poesia
passará a mão pela mesa e sentirá uma poeirinha fina
descaso com os afazeres domésticos
no alto,
três prateleiras abarrotadas de livros
na mesinha ao lado
agenda de telefone, calculadora, CDs...
apostilas e a carta
que diz:
Querido Greco,
não estou mais em mim
agora só desejo pegar aquele avião
partir pra África
encontrar o amor que se perdeu na guerra
e que não voltou com os outros em 1975.
Cuide-se,
Helena.
AGOSTO 4
Queria postar um texto aqui...
Mas os dedos estão a sangrar.
JULHO 31
O dia em que conheci um escritor em NY
Entrei num café da East Village fugindo da chuva. Nunca havia estado ali antes. Fiquei deslumbrada. Observava tudo e todos. O mostrador de vidro e seus inúmeros produtos. Aquilo era quase uma instalação, só que aqui os objetos se movimentavam entre uma conta e outra,
nunca a mesma vitrine.
Sempre havia um cliente ansioso por um cubano ou um canivete quebra-galho. Admirava também os tecidos. As roupas oscilavam entre o vermelho, o marrom lavado e o bege.
No caixa, uma mulher solitária e seu avental cor de folha seca.
Era quase verão. Ventava muito. Pessoas entrando e saindo do café. Mesas lotadas. Tive que me contentar com o balcão: a cup of coffe, please!?.
Foi aí que o vi.
Um sorrisinho no canto da boca, denúncia de um certo nervosismo, olhar atravessado.
Pensei em timidez.
Não parecia estar animado para o lanche, alguma coisa havia acontecido com ele naquela tarde?
Sonorizava.
Cabelo grisalho. Blusa de lã preta, gola até o queixo. Casaco de couro no encosto da cadeira. Uma caderneta de telefone.
A minha vida estava se perdendo. Eu já acreditava no amor. Em que meu devaneio consistia?
Aquela talvez fosse a única hora para eu me aproximar e dizer: you are a...
Esqueci o café e passei para o copo de conhaque do senhor de blue jeans...
Num impulso,
a gente tinha tudo para dar certo.
Mandei bilhete? Entrei numa briga desgraçada com o garçom porque ele me disse que aquilo não era hábito da casa e eu tentei explicar que eu conhecia o John, fosse esse o nome dele. E que a gente sempre iniciava nossos encontros numa troca de bilhetes. Uma brincadeirinha de amigos apaixonados. O garçom disse lá que eu me enganara, aquele não era o John e eu deveria me conformar com isso. Mas como não era?!... Aquele que eu conheci há dias na Barnes & Noble?! Que conversei horas no trem... não era o Johnny?! Não, John ele não poderia ser, repetiu o garçom. Este dái é... e falou horas, explicou, re-explicou...
O garçom me convenceu a deixar a idéia do bilhete... não perturbaria um grande escritor da cidade... que levaria New Jersey para o topo do mercado editorial, seria o então mais traduzido do mundo... e ainda me disse que ele era excêntrico, várias mulheres insanas já haviam mandado bilhetes e que deixava de freqüentar os lugares por isso, blá blá blá...
Concordei... John não poderia ser mesmo escritor, e, pra ser franca, não se parecia com Paul Auster...
DITO POR NÃO DITO POR GLAURA
26.11.05
24.11.05
The problem is all inside your head, she said to me
The answer is easy if you take it logically
I’d like to help you in your struggle to be free
There must be fifty ways to leave your lover
She said it’s really not my habit to intrude
Furthermore, I hope my meaning won’t be lost or misconstrued
But I’ll repeat myself at the risk of being crude
There must be fifty ways to leave your lover
Fifty ways to leave your lover
Just slip out the back, jack
Make a new plan, stan
You don’t need to be coy, roy
Just get yourself free
Hop on the bus, gus
You don’t need to discuss much
Just drop off the key, lee
And get yourself free
She said it grieves me so to see you in such pain
I wish there was something I could do to make you smile again
I said I appreciate that and would you please explain
About the fifty ways
She said why don’t we both just sleep on it tonight
And I believe in the morning you’ll begin to see the light
And then she kissed me and I realized she probably was right
There must be fifty ways to leave your lover
Fifty ways to leave your lover
Just slip out the back, jack
Make a new plan, stan ...
*50 ways to leave your lover, by paul simon.
The answer is easy if you take it logically
I’d like to help you in your struggle to be free
There must be fifty ways to leave your lover
She said it’s really not my habit to intrude
Furthermore, I hope my meaning won’t be lost or misconstrued
But I’ll repeat myself at the risk of being crude
There must be fifty ways to leave your lover
Fifty ways to leave your lover
Just slip out the back, jack
Make a new plan, stan
You don’t need to be coy, roy
Just get yourself free
Hop on the bus, gus
You don’t need to discuss much
Just drop off the key, lee
And get yourself free
She said it grieves me so to see you in such pain
I wish there was something I could do to make you smile again
I said I appreciate that and would you please explain
About the fifty ways
She said why don’t we both just sleep on it tonight
And I believe in the morning you’ll begin to see the light
And then she kissed me and I realized she probably was right
There must be fifty ways to leave your lover
Fifty ways to leave your lover
Just slip out the back, jack
Make a new plan, stan ...
*50 ways to leave your lover, by paul simon.
24.10.05
9.10.05
seqüência #4 *para pedrães

noite de sábado quente e melancólica
ela se aproxima da janela
toca a persiana
não vê os siameses da vizinha
*deitados no piso da área de serviço,
a se deliciarem com o geladinho da cerâmica.
não estando triste,
abre o porão
de onde saem lembranças fabulosas:
um amor antigo
um sorriso no canto esquerdo,
debussy, bellabartoc, matmos...
muitos cds ainda restam para escutar
até que a noite se transforme em sono
e o sono traga a manhã seguinte.
como a felicidade me faz bem...
assim,
helena.

noite de sábado quente e melancólica
ela se aproxima da janela
toca a persiana
não vê os siameses da vizinha
*deitados no piso da área de serviço,
a se deliciarem com o geladinho da cerâmica.
não estando triste,
abre o porão
de onde saem lembranças fabulosas:
um amor antigo
um sorriso no canto esquerdo,
debussy, bellabartoc, matmos...
muitos cds ainda restam para escutar
até que a noite se transforme em sono
e o sono traga a manhã seguinte.
como a felicidade me faz bem...
assim,
helena.
7.10.05
talvez eu devesse entrar na internet e pesquisar por que a falta de potássio causa tanta dor nas pernas.
(a esta hora não me parece tão lenta)
se eu vomitasse toda a cerveja que acabo de tomar não sentiria tão forte,
absurdamente forte,
esta dor na boca do estômago.
às vezes me sinto meio zonza,
a procurar um lugar quentinho...
quero deitar e dormir
até acordar.
6.10.05
notre dame # ainda helena
gosto do meu headphone
a idéia de compartilhar a voz que me invade soa estranho.
como se qualquer um pudesse também ouvir o que se passa na minha mente.
*às vezes é bom
ter a sensação deste som
doce e agressivo
quebrar a parede alheia, silenciar um coração atrapalhado.
eu, você
(at the moment)
gosto do meu headphone
a idéia de compartilhar a voz que me invade soa estranho.
como se qualquer um pudesse também ouvir o que se passa na minha mente.
*às vezes é bom
ter a sensação deste som
doce e agressivo
quebrar a parede alheia, silenciar um coração atrapalhado.
eu, você
(at the moment)
4.10.05
this is not a funny story
*para meu pai
achei, entre a papelada que ainda resta no meu antigo quarto, um pedaço de madeira escrito:
“minha filha, nunca abra a caixa de pandora. a minha foi aberta e de lá saíram monstros e fantasmas que até hoje me atormentam”.
diria que meu pai é um poeta que teve a carreira amputada; talvez pela perda do irmão ainda jovem, morto estupidamente porque teve medo de ser preso e correu. “M. A. C. V., 20 anos, levou um tiro pelas costas por causa de um bocado de maconha no bolso. chegando em casa, depois de um dia de trabalho, a mãe do jovem deparou com um camburão à sua porta e, dentro, o corpo do caçula”. não foi assim que saiu no noticiário.
não sei se exatamente, mas acredito que seja esse o momento em que, para meu pai, a caixa de pandora tenha sido aberta. não fora por curiosidade que os fantasmas se afloraram, mas por um golpe, que desencadeou uma série de anomalias que não permitiram o distanciamento necessário para uma poesia consciente.
será preciso gerações para que essa história seja passada a limpo. quanto ao poeta, que se manteve guardado todos esses anos, continuará recluso, até ser completamente esquecido.
– ainda resta a teimosa esperança! – um aspirante a escritor gritou do fundo da sala.
*para meu pai
achei, entre a papelada que ainda resta no meu antigo quarto, um pedaço de madeira escrito:
“minha filha, nunca abra a caixa de pandora. a minha foi aberta e de lá saíram monstros e fantasmas que até hoje me atormentam”.
diria que meu pai é um poeta que teve a carreira amputada; talvez pela perda do irmão ainda jovem, morto estupidamente porque teve medo de ser preso e correu. “M. A. C. V., 20 anos, levou um tiro pelas costas por causa de um bocado de maconha no bolso. chegando em casa, depois de um dia de trabalho, a mãe do jovem deparou com um camburão à sua porta e, dentro, o corpo do caçula”. não foi assim que saiu no noticiário.
não sei se exatamente, mas acredito que seja esse o momento em que, para meu pai, a caixa de pandora tenha sido aberta. não fora por curiosidade que os fantasmas se afloraram, mas por um golpe, que desencadeou uma série de anomalias que não permitiram o distanciamento necessário para uma poesia consciente.
será preciso gerações para que essa história seja passada a limpo. quanto ao poeta, que se manteve guardado todos esses anos, continuará recluso, até ser completamente esquecido.
– ainda resta a teimosa esperança! – um aspirante a escritor gritou do fundo da sala.
2.10.05
23.9.05
16.9.05
*notícias da serra: mais nuvens se aproximando
deveríamos trocar o nome da chuva que caiu em BH na semana passada para chuva de granito!
tal o tamanho dos granizos que despencaram do céu e o estrago provocado.
houve um que, por não enxergar nada, tirou a cabeça para fora da janela do carro e acordou com galos horr(or)endos na testa.
outros, da banda de cá, receberam as primeiras pedradas fatais...
vidros pelos ares!!!
como tenho tendência ao medo, olho pro céu toda vez que resolvo sair,
para ver se há ameaça de pedras.
por isso senhores, volto a dizer:
se houver ameaça de chuva, preparem seus capacetes.
deveríamos trocar o nome da chuva que caiu em BH na semana passada para chuva de granito!
tal o tamanho dos granizos que despencaram do céu e o estrago provocado.
houve um que, por não enxergar nada, tirou a cabeça para fora da janela do carro e acordou com galos horr(or)endos na testa.
outros, da banda de cá, receberam as primeiras pedradas fatais...
vidros pelos ares!!!
como tenho tendência ao medo, olho pro céu toda vez que resolvo sair,
para ver se há ameaça de pedras.
por isso senhores, volto a dizer:
se houver ameaça de chuva, preparem seus capacetes.
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