2.10.05

tento escrever para helena
e não passa de uma página. (concisão)

essa história está me consumindo,
aos poucos.
penso na raposa albina (versão de matias)
que toca a calda no grande lago.
deitada,
olha para a luz do sol que incide sobre o cacho de uvas.

espera demorada

23.9.05

entrou do outro lado.
e neste instante a porta de vidro fechou,
bem na sua frente.
fingiu ser eu mesma.
calou-se.
calei-me.
era noite de quinta-feira...
galeria central do museu del bairro.

16.9.05

*notícias da serra: mais nuvens se aproximando

deveríamos trocar o nome da chuva que caiu em BH na semana passada para chuva de granito!
tal o tamanho dos granizos que despencaram do céu e o estrago provocado.
houve um que, por não enxergar nada, tirou a cabeça para fora da janela do carro e acordou com galos horr(or)endos na testa.
outros, da banda de cá, receberam as primeiras pedradas fatais...
vidros pelos ares!!!
como tenho tendência ao medo, olho pro céu toda vez que resolvo sair,
para ver se há ameaça de pedras.
por isso senhores, volto a dizer:
se houver ameaça de chuva, preparem seus capacetes.

14.9.05

e-mail muitíssimo pessoal
*aberto aos ouvintes

nica, a bailarina de azul a desfilar em terras geladas.
o pão de mel a aguarda na mesa do café.
ela sonha pastorar em terras distantes.
agora nica dorme. sono leve, gostoso.
do lado dela um homem encantador.
asas de borboleta... a fazer cosquinha na bochecha.
falamos por recados eletrônicos,
como se estivéssemos grudadas,
lado a lado, frente a frente.
ler nica, é ouvir sua voz:
mansinha e quentinha roçar nos ouvidos.
hummm...
os olhos enchem de água,
mas é bom... fica bem aí.
beijo.

13.9.05

ainda helena

ela queria dormir. ele andando pela casa com suas botinhas de couro legítimo (tuck tuck tuck).
ela, desejo de voltar aos sonhos, onde repousava no ombro de orfeu.
ele continua a andar pela casa com seu radinho de pilha que zune como abelhas no mel.
ela soluça uma felicidade.
Ele, nos seus trejeitos práticos, procura relógio, carteira, celular.
ela levanta, passa os dedos sobre a superfície irregular do móvel de antiquário, toma café.
ele, silêncio.
Crocodilos amarelos não existem! Repetia Carmem.
E se eu jogar uma balde de tinta neles? Replicou Su, a olhar no quintal dois calangos se amarem.

11.9.05

frostypara matias e ribão (o poeta novilúvio)

aonde encontrar Björk?
essa voz doce...
que mistura infância e melancolia.
estaria Björk ancorada em algum mar gelado
no Pólo Norte?
sensação de frio na espinha
arrepiar da pele

the mystery of my flesh
são basicamente dois sons que invadem a porta e quebram o vidro da janela

*sun in my mouth

8.9.05















deitada no ombro de Fernanda
uma máscara
a vizinha solicita da família Drummond
*por Nelson Rodrigues ("senhora dos afogados")

7.9.05

chove pedra lá fora
gelos saltitam na janela do quarto
dois vidros se partiram.
na sala,
uma poça d’água
*baldes e panelas espalhados pela casa

(tempestade em céu azul)

3.9.05

poeirinha ordinária que envolve meus objetos e embaça a tela do meu computador
duas linhas de ônibus passam em frente à janela do escritório
(tro)cent(r)os carros
embaralham meus ouvidos

2.9.05

pausa para ver a Internet…
sem escrever longos textos

queima de sanidade.
perder é o mesmo que deixar de ganhar?

não não, não me diga.
aguarde um terceiro momento.
* extraído do livro achado no corredor de uma gaveta.

28.8.05

uma mulher se perde na floresta
acaba de ver o marido na prisão
estamos no final do século XIX
já havia batedores de carteira
*uma bisneta lê diários esquecidos no sótão.

26.8.05

a retirada dos remédios causa um pouco de ansiedade
igual forçar o sono, rolar de um lado a outro,
sem conseguir retorno
dá coceira nos ossos...
lembrei dos meus discos
esse equilíbrio estranho
sensação de ser som, imagens...
é verdade que meu discman completa 10 anos
segue pulando faixas quando está irritado
mas ainda me acalma
dessa ligeira ansiedade
e seus picos zunindo
(like a badhead in the morning)
visão embaçada
os remédios e sua rotina

24.8.05

querida A. R.,
hoje completa um ano.
desci no centro e comprei entradas para uma peça de teatro (Antígona).
saindo do Palácio das Artes quis entrar no Parque Municipal. de fora da grade me pareceu um lugar tranqüilo para dedicar um minuto a você.
me enganei.
definitivamente não somos cosmopolitas... e de enxeridos ficamos olhando os outros: suas roupas, feições etc.
nem disfarçadamente,
queremos devorar o outro antes que ele nos devore.
ninguém suporta a solidão alheia e logo metem o olho intimidativo.
tentei perceber os patos que correm sobre as águas verdes do lago central...
mas um desejo incontrolado de fugir daquelas pessoas me fez desistir do gesto...
caminhei depressa pela rampa em S e antes de atingir a estrada principal:
uma linda gata branca sai de dentro das árvores...
não vejo muitos gatos soltos na rua ultimamente,
somente os gatos da vizinha do prédio ao lado
(que ficam tomando sol na janela ao final da tarde)
talvez o número de cercas elétricas esteja impedindo os gatos urbanos de circularem entre quintais, ruas e passeios.
mas a gata branca me trouxe você...
era realmente linda
tinha o olhar imperativo, como o seu...
desfilava como uma dama em seu casaco de pele legítimo...
igual ao dia em que me pegou de madrugada em casa e me levou ao hospital,
nunca esquecerei desse dia... seria a última pessoa que eu teria visto se morresse na emergência do Semper, que fica em frente a uma das entradas do parque.
não fui a última pessoa a lhe ver...

20.8.05

atendendo a pedidos #2

cena 1: ensaio melodramático
ela desliga o computador e inicia uma correria pelos cômodos da casa.
(...)
“aonde está a fotografia cinza?”
- perdeu-se do álbum.
alguém, alguém...
você?!
*no sótão...

cena 2: a queda
sobe as escadas,
tropeça
descobre um fundo falso no último degrau
passagem para uma dimensão que não existe
a chave do sótão está perdida em algum lugar desse vão...
se encoraja e pula
não é bem o que lhe parecia...
cai no porão.

cena 3: uma luz
o porão não está vazio
ela endireita o corpo
percebe um baú no centro,
abre...
não só uma... várias fotografias...
papéis e alguns carimbos (?).
não sei se lhe parece distante
eu estar ao pé da cama, fazendo a unha.
esmalte de tom café...
*blusa de listras cor de rosa, cabelo amarrado
a queda,
um corte
era dia de feira
sangrava.
agora, o queixo com esparadrapo,
você preparando sopa
a mesa posta
o queixo
pingava
mercúrio cromo (como me soa estranho)

*a memória da cicatriz

19.8.05

17.8.05

Onde estão vocês?
Ninguém (aí) para entender esta louca desvairada
de amor?!
Caramba!
Me perco na melodia...

14.8.05

quero todas aquelas imagens
de matias a eassis
esses seres submersos
que constroem poéticas (do vazio)
colam: cartier-bresson, cocteau, bergman
silêncio que habita
*saudades de novilúvio
outros dois seguirão para o norte
onde a neve é mais que intenção
somente todas aquelas imagens para interpretarem o som que invade a minha melancolia
um jazz para os etnográficos errantes

(e o ronaldo a nacar
nos meus livros)
domingo

acordar tarde,
visitar a família.
pé de pato, piscina...
churrasco, arroz branco, farofa
cerveja
falação
cocada branca, cocada preta
a cabeça que rodopia
cafezinho...

(estômagos estragados)

7.8.05

O marido ri na sala.
Ela tenta se concentrar no texto que precisa entregar até o final da próxima semana.
O marido dá uma gargalhada.
Ela
inveja.
O marido salta da cadeira.
Ela tenta entender como o autor constrói aquela narrativa oscilante.
De repente está na guerra colonial de Angola, lutando por uma causa que desconhece... a defender seu país sem ter sequer tido a chance de escolher se queria estar ali.
uma perna pelos ares cai ao seu lado...

podia jurar que era um tronco de árvore a sangrar...
A perna do soldado a faz lembrar da caixa de brinquedos.
Dos pedaços de bonecas. Dos olhos vazados da Guigui que insistia naquele sorriso de covinhas, da cabeça amassada da Fofolete e da Suzi, ou seja, do braço mastigado da Suzi.
A perna ainda é o soldado?
De volta ao acampamento, vê o médico desesperado com a chegada do primeiro morto...
Ele sai da enfermaria e não se importa em dizer:
“Está a dormir a sesta”.
No lado direito, os girassóis exibem, entre a fumaça, o seu bailarico diário.
O estourar de bombas a faz pensar nos foguetes de fim de ano. Como é lindo ver o céu exibir cascatas que oscilam entre o azul e o amarelo...
Feliz 2...
Quando percebe,
já se passaram horas...
o marido está no quarto a tomar chá, ouvir o rádio,
numa serenidade que anuncia o fim do dia...
amanhã, segunda-feira.
Depois da guerra,
providencia um banho quente,
para relaxar os ombros enrijecidos...
acalmar os dedos melancólicos.

4.8.05

orfeu atravessa o espelho


















o pássaro azul
a delatar as cores que não podem ser vistas:
assim se comporta o negativo?
desejo de ser laranja,
luminosidade...
o pássaro azul provoca as cores da sua radiografia.

31.7.05

O post de hoje "O dia em que conheci um escritor em NY"
está no "Dicção aleatória"...
atalho no canto direito.

27.7.05

jantar de hoje

estou exausta…
não consigo pensar uma linha animada. coloco o queixo na palma da mão e faço círculos.
pão, presunto e queijo. um copo de suco imaginário.

26.7.05

Fato é: o jornal "O globo" de hoje (26 de julho de 2005) desapareceu das bancas em Belo Horizonte, quiçá em toda a Minas Gerais, após a notícia de que o esquema Marcos Valério funciona desde 1998 com o atual senador Eduardo Azeredo do PSDB. Varri todas as bancas do meu bairro e não consegui encontrar um exemplar desse jornal. Na última, o rapaz me perguntou "o quê que tem nesse jornal que todo mundo está procurando?" Disse que foi o único que resolveu apontar o esquema Marcos Valério-PSDB em Minas e que Eduardo Azeredo quase chorou na tribuna. E ele respondeu: "Ah! Entendi... a mídia tá camuflando, né?!". Eu apenas sorri um sim.
Voltei para casa com a dúvida: estaria Aécio Neves (gov. de Minas) e sua fiel escudeira comprando loucamente todos os jornais do estado? Ou as pessoas estão indignadas com a mídia que só faz enxovalhar o PT?
Preciso urgentemente de um exemplar em bom estado de conservação, alguém poderia conseguir um para mim? Por favor, encaminhem este meu pedido, caso não tenha... quem sabe alguém em São Paulo, Basília, Rio, Acre etc. etc. etc.
PT saudações!

16.7.05

volto tonta da livraria...
opções diversas.
há quem ainda não escreveu uma linha,
e dividirá espaço nas prateleiras com aqueles tantos.
sem tempo para o que acabo de comprar.
arrumo a casa, lavo a roupa, faço compras.
neste fim de noite, restam-me os blogs?
estou devaneando, para me acostumar com o teclado macio do Mac.
option + g = ©

13.7.05

sonhei que voava: e eu dominava o desejo de voar.
você estava no meu sonho.
uma casa cheia de labirintos.

2.7.05

Café des poètes

Quando perguntam a Orfeu sobre o que ele acha que é ser poeta,
responde: "Escrever sem ser escritor".
Orfeu de Jean Cocteau é um poeta moderno.
Se apaixona pela morte que lhe manda mensagens indecifráveis através do rádio de um carro.
Nessa história, Eurídice parece ser apenas uma desculpa para que ele possa se encontrar com sua amada no vale das sombras.

O retorno para casa lhe parece doloroso
a ponto de não cumprir o combinado

assim, olhar para Eurídice, é se tornar um errante...
que espera pacientemente a sua morte.

"ma mort... ma mort". Sonha Orfeu.

"Um único copo d’água ilumina o mundo".

26.6.05

300 toques

deixei a mão correr levemente pelo seu rosto. senti sua respiração falhada, a boca seca. no canto esquerdo, abajur, despertador, o copo d’água. contávamos histórias um para o outro até que o cansaço nos vencesse. pés gelados. melhor vestir meias, conferir as janelas. acreditei que tudo não era sonho.

24.6.05

folhas caem no jardim de Mariá
o vento no basculante
arrepio
a torneira do lavatório
pinga
pinga
insistentemente
mariá brincando com objetos imaginários

dedos ávidos por uma história
o frio parece congelar idéias...
2:56
melhor enfiar a cabeça no cobertor
dormir por umas horas
amanhã ainda é sábado

20.6.05

no canto direito, links.
meu editor de blog trabalha, trabalha.
como um relógio.
para essa escritora incompetente.

18.6.05

o matraca anuncia o beiju
olho a prateleira lotada de tarefas acadêmicas
vontade de ficar de pé, debruçada na janela
espiar Marquinho
que grita lá fora
“uma lavadinha aí?!”


som de furadeira no vizinho ao lado
a persiana bate com o vento
cinco gatos quentando sol

bolinhas de pimenta do reino (preta)
espantam as traças

a Internet é gradualmente lenta

meus olhos caem
colchão de molas

16.6.05

recortes

quando você passa
passa também:
a moça na calçada, o homem lendo jornal,
gargalhadas na esquina, uma casa por fazer,
o relógio da igreja, pedaços de paisagem.

enquanto você mexe o cabelo:
meus olhos delirantes.

13.6.05

dizem que todo mundo tem duas personalidades.
como os geminianos são dois: quer dizer que temos quatro?

11.6.05

aula de geometria.

círculos (concêntricos?)
vi na antiga 3ª série
depois, mais aprofundadamente...
na 7ª.
quando queria,
era boa em matemática.
mesmo sem querer, tirava 10 em educação moral e cívica.
sempre troquei palavras em português,
mas era craque na interpretação.
não cumpri com o que registrei no caderno de perguntas de uma coleguinha da 6ª.
"o que você quer ser quando crescer?"
desenhista!
um colega leu, olhou pra minha cara e disse: "rárá! desenhar é muito difícil".
me lembro que ele copiava (à mão livre)...
super-heróis da marvel.
nunca consegui copiar um super-herói.
depois fui fazer curso. aquela coisa de oito cabeças...
pensar oito cabeças e fazer o corpo humano, sabe?
muito cerebral. talvez por isso, meus bonecos continuam rígidos.
mulheres estáticas.
já na faculdade, um amigo me disse que eu era preconceituosa, porque não desenhava gordos. mal sabia ele que já havia tentado, tentado etc. não só gordos, também velhos, crianças, bichos...
não me descobri Poty.

me formei em letras.

------------------------------------------------------
... daqui a dois dias, 31 anos.

nasci num 13 de junho
mesmo dia de Fernando Pessoa
e meu pai disse isso.


7.6.05

plock, plock, plock... no meu cérebro.
manifestações de euforia indicam a hora de começar a escrever.
(contrastes)


zunzunzum...
ainda não me acostumei com o som polifônico do celular...
parece que ouço vozes vindas de todos os lados:
da rua, dos prédios vizinhos etc.
irrita-me sair zureta e perceber que não era o meu,
nem o de ninguém...
invenção


todos têm celular,
moram em prédios,
perambulam pela rua.
nem todos têm bolhas imaginárias no meu cérebro
.

5.6.05


incrível ver você de novo e perceber que o tempo não alterou seu jeito de andar.
o olhar discreto,
quase tímido.
para não dar na cara,
concentro,
finjo ver o trânsito,
atravesso a rua distraída
e...
um pouco sem graça,
meio desajeitada,
viro pra trás.
ainda dá tempo de pegar:
impressões do vermelho
estampadas no seu rosto.

2.6.05

um pouco mais de 300 toques

pensei encontrar nas anotações deixadas na gaveta da cômoda
uma história possível para carlos.
nada. n
as notas,
apenas emendas de frases rígidas, absurdas
sem o que contar, me rebelei contra a página branca
vomitei considerações, devaneei
(esse mundo inventado)
ao ler,
carlos nem se deu conta de que o texto
era todo
espaços vazios.

28.5.05

retirado de escritores incompetentes
tópico: narrativas de grau zero

4/29/2005 9:37 AM
eassis: são os documentários, mas...ando tendo uma impressão esquisita com essa quantidade de blogs, diários, histórias íntimas do homem comum, das coisas fantásticas do cotidiano etc... há uma mistura entre ficção e documentário?

4/30/2005 12:20 PM
yo: quero entender melhor o que você diz de narrativa de grau zero. e principalmente de que forma o documentário seria essa narrativa.quanto à pergunta, não sei se mistura... é verdade que a água passa pelo pó que está contido num filtro, daí: café. digamos que nós somos o filtro. o pó o conteúdo, documental ou não, a água seria aquilo que torna possível saborearmos o conteúdo. A escrita? bem sabemos que o filtro sozinho não dá conta. ele precisa de conteúdo. alguns de muito, outros pouco menos. os menos são estes que aproveitam o cotidiano, misturando pó de café torrado com café verde. os que precisam de muito conteúdo às vezes perdem o ponto, repare que o texto fica chato, meio Machado de Assis com pijamas de bolotas vermelhas. bom, penso que alguns descobriram a facilidade de escrever. escrever fácil é abandonar os clichês, catar um fase solta e transformá-la em alguma coisa que a gente lê, esquece, lê de novo etc. é simplesmente fazer café. mas.... também sabemos que tem gosto pra tudo.

4/30/2005 12:26 PM
yo: edu, acho que não respondi sua pergunta. é que responder não é o meu forte. o meu forte é mentir. rs. são 16:20h, me deu uma vontade de tomar café!

5/8/2005 12:05 PM
eassis: Haja!!! é como se o que é narrado não se encaminhasse para um fim. daí é um passo para falar da falta de finalidade do que é narrado (mas não do ato de narrar). o que está escrito não está amarrado a um núcleo (ou mais de um) importante. não há exemplos, personalidade, organismos, vida (não é que não haja, mas o modo de desenhar a vida é outro, menos escatológico, com menos sentido, ou com vários sentidos pulverizados).o átomo do elemento narrado é uma nuvem quântica de elétrons ou perspectivas.não é que o sentido não exista, mas talvez exista um sentido centrífugo ao invés de centrípeto. qualquer detalhe exposto seria, a partir disso, um detalhe uiversal.... cotidiano épico.

5/28/2005 11:10
yo: a física quântica considera a imensidão do universo, essa coisa que é infinitamente maior do que tudo que a gente pode imaginar dele, ao mesmo tempo em que considera os pequenos girantes (átomos etc.)... acho que o mesmo é para nós, incompetentes, tudo é e não é ao mesmo tempo, até chegarmos ao nada, ao neutro. O infinito é tão absurdo que ele é e não é. ver um átomo, pegar um átomo, termos a certeza dele, também. assim imaginamos tudo, universo e átomo... que coisa.

(aproveito tudo)

26.5.05

querido eassis,
peço licença para narrar esta história que não é minha.

(...)
um cheiro de sopa vinha da cozinha
invadia a sala.
um grito assustado. barulho infernal.
da janela
espiei.
a corda cedeu. a caixa ruiu do décimo. o capacete de segurança não fora suficiente.
massa cefálica pra todos os lados.
o cheiro de sopa intensificava.
5 horas da tarde. segunda-feira.
vi um peão da construção vizinha ser esmagado. como um bife no mármore.
cheiro de sopa até hoje me trava o esmago
.

21.5.05

ouço jazz.
tanan taran tanan taran tanan taran tanan taran tanan taran tanan taran tanan taran tanan taran tanan taran i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme i love supreme
parte 2
pannnnnnnnn pan pan taran... nanran......... nunnnnnnnn tun tun tun
bebo um chileno (tinto).
parte 3
o piano na minha cabeça.
*
agora, meus dedos no teclado
imitam Coltane.
irritante-mente embriagada.
bururururururuuruurururuuururuurbruru bururururururuuru bururururururuuruurururuuururuurbruru bururururururuuruurururuuururuurbrurururu bururururururuuruurururuuururuurbrurururuuururuurbruru bururururururuuruurururuuururuurbrurururuuururuurbruru bruru bruru bruru bururururururuuruurururuuururuurbruru bururururururuuruurururuuururuurbruru bururururururuuruurururu buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru
buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru uru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru
..........................................................
buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru uru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru
buru buru buru
buru buru buru buru
buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru
buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buru buruv buru buru buru buruburu buruburu buruburu buruburu buruburu buruburu buruburu
tun tun tun tun tun tun tun tun tun tun
tun
tun
tun
* my favorite things
o jazz nos ensina a frasear, assim diz Lobo Antunes.
o saxofone de John dissolve meu cérebro.
tannnnn........ tannaran, naran, naran,
pannnnnnnnn, panaran naran naran.
ion ion ioioooooooooonnnnnnnnn
(palmas)

20.5.05

saudades de estar aqui a escrever despreocupada
(gentileza)
outro dia li num livro que.

. assim o caminhante escolhe onde ir:

sem rumo,
errante


não há nada para dizer
lacunar é preciso...

11.5.05

sensação esquisita?
tempestade adentrando,
devagar.
é, pois bem.
concluo que
o mundo é uma tempestade infinita.

- sei nada!
sou apenas uma mulher

a brincar com todos aqueles lápis de cor
na mesa de inventar personagens.

1.5.05

o sol bate timidamente na janela
ventania

arrepio
congelamento de idéias

dedos estalados
a mão toca o teclado
* taquicardia

meu Deus, como a minha Internet é lenta!

24.4.05

Retrato

a cadeira é de madeira
encontrada entre objetos diversos – espalhados no porão de um antigo escritório de contabilidade
nela, ele fica horas (entre a leitura e a escrita)
às vezes percebe uma águia passar pela janela do seu quarto
vai ao terraço conferir os passarinhos
alimentar nico

volta para o trabalho
mesa espaçosa, dicionários
na porta de correr se esconde um armário
entre roupas, sapatos e meias
prateleiras de livros

moça com brinco de pérolas,
como é mesmo o nome daquele pintor?
agora, ao som de jazz, conversamos noite adentro
os amigos de sempre
não há nada que possa afetar nosso imaginário
povoado de divagações, vinho e macarrão
é isso que tenho pra dizer sobre o querido eassis
no orelhão, um descarado cantou:


– se ao menos você
me deixasse provar que aquilo foi um engano
meu amor
transformaria nossa história num samba...
e não te perderia jamais

17.4.05

* para matias monteiro

o garoto de havaianas está sentado na cama lendo jornal
bombardeio ali, assassinatos acolá
na parede, gravuras coloridas contam a história da arte
na mesa, fotos de Houdini

o sonho de ser mágico
no criado: caderneta de notas, lápis, borracha
(objetos cruéis)
levanta a cabeça
sente o sol cegar seus olhos
lembra-se de que é dia
hora de dormir

9.4.05

colocar fronha novinha no travesseiro
deitar na hora que o sono vem

invadindo
*receita para viver bem

4.4.05

restos de texto
escrita despreocupada
rascunho



dediquei para você a próxima história
estava a dizer
frases capciosas
num ritmo acelerado
poesia?



por excesso de páginas
por ausência de roteiro
por ser a mesma rapariga
acabei de saber:

não deu


tentei
livrar-me da imagem do pai arrombando a porta
do cheiro de sangue quente
do seu corpo dentro de um saco cinza



morreu
de um tiro na boca
vazado

mas seu sorriso continua o mesmoquerida A. R.



ah! a loja da metrópole fechou
quebrei meu cartão C&A
continuo odiando saltos
passou natal, páscoa
o papa finou-se

não sei entender este sentimento
você ficando distante

3.4.05

sambinha - para os amigos etnográficos

a minha lente quebrôoooooou
não vejo mais o meu amor
a minha lente quebrou, a minha lente quebrou


ô meu amor

26.3.05

o pássaro estava preso entre os galhos do pequeno pé de pimenta que nica me dera quinta passada

tons de lilás, violeta
azul (anil)

separei os galhos e encorajei-o
num impulso, levantou vôo
misturou-se ao céu

que presente mais delicado
encontrar um pássaro azul perdido entre os dedos de moça

Pássaro Azul

- Para Nica...










Ritmo








Bailarico








Infinito

19.3.05

dai-me um corneeeeeeeeeeeeeeeeeeto
muito cro[up]caaaaaante
é da gelattttttoooooooooooo
corneeeeeeeeeeeeeeeto [up]
que quierooooo tantooooooooooo
[up]

*um bêbado acaba de passar embaixo da minha janela.
morar n´serra tem seu lado divertido.

12.3.05

se bebo coca-cola não durmo.
se como chocolate,
o cérebro inflama.

olheiras

o corpo lento,
a cabeça pende pra lá, pra cá
um texto por fazer
uma transcrição pela metade
um banho urgente
ando tão lenta
que mais pareço o gato da vizinha ao lado
sempre à janela
sem mexer músculo
só quando o sol se vai:
espreguiça.
depois,
lambe os beiços,
vira pra trás,
dá um salto
e, finalmente,
toma coragem

* leite gelado na tigela

mas o sol já se foi
e ainda não tenho pressa

falta de assunto me mata

5.3.05

*para Rô

Enquanto a cortina batia com o vento
Dormia


Nuvens dissolviam o azul
Anúncio da chuva

Alguns respingos caíram sobre seu rosto
Mas o sono não estava leve

Assim permaneceu
Sonhou estar dentro de um dilúvio

Dilúvio

20.2.05

nino largou a vida no interior
vendeu fazenda, meia dúzia de bois
veio parar na capital
comprou lote e se instalou
numa casinha simples, luxo nenhum,
começou a criar aves
seu fascínio por elas era tão grande que uma vez envolveu o alpendre com tela e fez da frente da casa um viveiro enorme. por uma porta, a do corredor lateral, entrávamos no quarto-sala, e, por outra, a principal, entrávamos
num cômodo mágico: pássaros, passarinhos, todos os tipos, até aves raras – protegidas pelo governo –, nino criava.
a casa foi ficando sem espaço. nas prateleiras, ao invés de livros, gaiolas. o faisão tinha vida de rei, dormia entre o telhado e a laje. no pequeno quintal, tipos atrapalhados, gansos, marrecos etc.

hoje, pela manhã, deve ter havido uma cantoria danada,
mas nino não estava mais lá para ouvir.

a vida guarda seus mistérios.

para vô nino
(1917-2005)









metrô

passagens
nada mais
é o que espera aquele som
andar em semicírculos
um ruído meio-leve-meio-agressivo
assim,
bem no meu ouvido

8.2.05

Nevoo* - para eassis

dentro de mim há um escuro...
faltam textos que queria rever.
onde está você?
pretendia discar, mas as mãos estavam ocupadas com o teclado nas últimas semanas...
onde está você?
voltei para 1999...
deserto, clarão, ventania...
fui ver o que estava fazendo.
já não tenho certeza se estou aqui ou lá.

neste lugar (negro) continuo tendo idéias para me safar da tempestade.

*comments in: www.nevoo.blogspot.com
fixo nas crateras do seu rosto.
vejo: instantes de silêncio.

nesse lugar,
isolo-me.

aqui não existe tempo,
nem memória.

procuro eu,
procuro você.

adormeço.

29.1.05

paro para descansar
um copo de leite, rosquinhas...
depois de cinco dias pensando n´os cus de judas.
o que até hoje não descobri foi um significado concreto desse título.
para (cu) é fácil,

mas quem são os judas?
ou seria um judas com vários cus?

21.1.05

*chuva

estou com os pés na água morna
para que à noite
possa esquentar meu bem


15.1.05

HOMBRE! (para eassis)

quanto menos entendo, melhor fica.
a prova de ser névoa, dulcinéias, a desmanchar no tempo.

*contrastes

em portugal: fala com ela
vejo a toureira agora, se aproximando.

mas não vejo a outra.
o saltitar do touro levanta poeira infinita.
essa mulher (de bronze) está por aí...
a deixar seu cheiro:
selvagem.

14.1.05

move
move
move
stop, stop, please...
right-right
move now...


a professora inglesa a dizer insistentemente para a turma de balé
mas a bailarina de azul pensava outras imagens
o ônibus vermelho passando;
o tempo meio cinza;
moças de capote;
sombrinhas coloridas;
um indiano, uma sueca, um raper francês – fazendo um som na esquina

a professora repetia, repetia
as meninas seguiam as instruções
circulavam, alternavam,
passos, passinhos soltos
sorriso

move, move...

a bailarina de azul tinha um encanto próprio
Hombre


13.1.05

em elipses. rodopiando (assim-assim).
o bêbado anda disparado pela calçada.
seria ele um errante?

9.1.05

nuvens se formaram no céu

(tempête)

uma melissa encharcada
folhas por todos os lados
acerolas estouradas no chão
um filhote de passarinho morto no cimento
varejeiras atacando o jantar

2.1.05

Em frente ao sobrado da Serra tem um telefone público.
Seria um telefone qualquer, sem graça, se daqui não se escutasse o que o outro, despercebido, tem a dizer.
Conversas soltas, vagas, declarações de amor, estupidez, palavrões.
Da janela do escritório ouço vozes ao vento.
Num desses dias (distraída), uma frase:
"O melhor é falar pouco de si e muito dos outros".
Assim, assim. Uma mulher ao telefone.
Uma frase, seca, que caberia a qualquer um,
mas é exatamente o clichê do escritor.

26.12.04

la glaneuse

na cozinha do apartamento
vejo uma abelha (em seu bailarico diário)
percebe as flores da jardineira: rosadas, amarelas, alaranjadas...
voa baixo, mais baixo ainda
cai na calda de chocolate que está no pote
sai de lá toda zonza
zonzinha
descansa um pouco na pia
zzz... bzunn...
ajeita para voar novamente,
mas não acredita no que acaba de ver:
várias abelhas,
abelhudas,
sorrateiras,
se contentando com o mel industrializado


*entomologista do cotidiano

12.12.04

estava a esperar, não apareceu.
não deixou registro.
perdeu o ônibus.
tenho medo da tristeza, por isso esse riso histérico.
se tentar me impedir um dia:
morro.

Para dois amigos que sobreviveram a um capotamento

Amanhã ia ter churrasco na mamãe, a gente ia ao supermercado comprar aquele doce de figo que as crianças tanto gostam, meu pai ia passar lá em casa para pegar emprestada a furadora e fazer as prateleiras para Si...

Tudo tão lento.
Então é assim, acabou?! – Fernanda pensava.
A sensação de estar caindo e não saber quando irá parar. O corpo flutua, solto, dentro do carro. Quando cessa, e vê que tudo está tranqüilo, Fernanda não sabe se está no céu ou no inferno.
São muitas luzes, coloridas, que cegam.
Era noite,
Fernanda suspirava.
Saiu pela janela direita. Sorte estar no banco de trás.
O marido não tinha se dado conta de que dormira por dois segundos.
Cochilara,
exausto.
Ganharam dois dias de folga no serviço.

11.12.04

Indefesa, a lagarta corre contra o tempo...
- Querido, temos jantar suculento!!! - Uma rolinha dizia a seu cônjuge.
- Que bom! Por hoje deixarei de atacar aquele intrigante pé de acerola. Ô pozinho infernal! - Respondeu sem piscar.
A lagarta, tão roliça, tão esverdeada, é pura clorofila.
Mas ninguém percebeu que, camuflado no troco da jabuticabeira, um calango, sorridente, escutava atencioso a conversa.

5.12.04

claro...
ainda claro
tão claro que quer engolir a noite
tempo: tempo
um pouco mais
(cada dia)
ainda pouco
não fosse claro,
seria outra coisa
possibilidade:
expectativa

27.11.04

experimento #1

minhas mãos estão tingidas
magenta; azul marinho;
rosa.
leves riscos pretos cortam o meu braço
o cabelo espalhado na testa
movimentos circulares
ondas

(orifício)


vejo eu, vejo você
a linha, o desenho


20.11.04

Entrou na casa por volta das 2 horas da manhã.
Tudo parecia silencioso, até o cão não latiu. Marco já estava em sono profundo, vendo Bia, rindo Bia, lambendo Bia.
Abriu a porta do quarto. Apreciava o corpo, iluminado pela luz enfraquecida do abajur. Quis tocar o rosto, mas pensou.
Num outro instante (mais dedicada) viu um sorriso terno se completando.

Marco sonhava.
Então se despiu, vestiu uma seda,
deitou.
Antes de apagar a luz, olhou mais uma vez para o homem.

Pele macia, cabelos envolvidos.
Fechou os olhos,
não quis pensar em mais nada.

15.11.04

posso simular,
ser outra pessoa

*fingir ser eu mesma

assim, não sentirei solidão
nesses dias sem sol, sem chuva

*temperamento azul-rosado
Ouço Cat Power
Meu corpo pende para o lado em busca dessa voz
Romântica

13.11.04

só me recordo do mar
o resto ficou manchado
poeirinha fina 

daqui, a vista fica mais embaçada

deixa eu ver...
é simpático sim,
como não!?


***

(versão esquecida no fundo de uma gaveta)

da fotografia só me recordo do mar
o resto ficou manchado
lágrimas e borra de café
aqui a poeira toma conta
mas ele é simpático,
como não?!

amei sim,
no more.

caberia o mundo dentro do meu quarto?
pelo vidro atravessam:
raios alaranjados
a voz doce
*
nesta tarde
o infinito é mesmo possível?
vontade de dançar
não ligar para o tempo
às vezes paro num canto qualquer
a admirar
pessoas, gestos,
bocas
olhares

headphones - para ana luiza

genius to fall asleep to your tape last night
so warm
sounds go through the muscles
these abstract wordless movements
they start off cells that haven't been touched
before
These cells are virgins
waking up slowly

my headphones
they saved my life

your tape
it lulled me to
sleep

nothing will be the same

I'm fast asleep

I like this resonance
it elevates me
I don't recognize myself
this is very interesting

my headphones
they saved
my life
your tape
it lulled me to sleep

I'm fast asleep now
I'm fast

asleep

my headphones
they saved my life
your tape
it lulled me to
sleep

(björk - post)

10.11.04

crônica

o que mais me intriga na escola de direito é aquele sinal. me faz lembrar o primário, em que um barulho de sirene anunciava o término do recreio ou o fim da aula.
vejo rapazes em seus ternos bem comportados, e moças, cada uma exibindo seu corte.
o anjo exterminador ?
na cantina, uns caras jogam truco.
há um cheiro insuportável de macarrão na chapa.
alguém come ruidosamente.
(embrulho no estômago)
desço as escadas, atravesso o prédio.
placas de metal exibem nomes de formandos. são como lápides.
(ou) o sonho de eternidade.
entro no jardim central.
contemplando um bem-te-vi, percebo que o lugar não está completamente perdido.

7.11.04

(para Lélia)

Clara, Mariana, Luiza, Catarina
Todas amigas de infância

Clara casou-se com Virgílio
Mariana descobriu Sara
Luiza mudou-se para Lisboa,
(manda presentes e cartão postal)
Catarina, deitada na grama,
A árvore das palavras

vez em quando ela se esquiva
a contemplar o pé carregado de amoras,
a hortelã, que se alastra pelo canteiro,
orquídeas, bailarinas, com suas saias de babado,
que enfeitam o jardim da casa
onde vive com os pais
a noite – enorme
tudo dorme
menos teu nome

-- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda

amar é um elo
entre o azul
e o amarelo

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo

nem fale em amor
que amor é isto

(Paulo Leminski)
monologo
na falta do que dizer invento uma situação
se ela não corresponde,
reinvento a vida
assim falo todos os dias
com o coração virado para o oriente (possível?)
penso em você, sentado no escritório
nas prateleiras pessoas se misturam
o olho pisca
a boca (em Ó) anuncia o fim da tarde
– estamos todos exaustos. alguém mencionou?
antes de ir pra cama,
ajeita os livros
(numa sensação de que tudo está ali)
um copo de leite, rosquinhas de açúcar
a luz se apaga

seus sonhos
*incompreensíveis

6.11.04

Sonho amarelo

Sabia que dali não poderia mais voltar.
Busquei meu amuleto. Uma espécie de girino amarrado em uma cordinha preta.
Recuperei ânimo, dei risada. Entreguei-me ao calor e aos afagos imaginados.
A mão tingida de um tom azul-meio-verde.
Lá fora, o sol desfaz a poesia.

2.11.04

Aventuras subjetivas de Madame Mimi

– "Olha! Temos amiguinhos".
Estávamos no Brasil 41 quando Mi viu dois cachorros se aproximando da calçada repleta de pessoas sentadas a suas mesas, tomando cerveja e caipirinha, comendo torresmo ou carne de sol com mandioca.
– "Tipo, tô afim de ir logo dançar".

Mi, já no seu quarto copo de cerveja, doida para ir à festa onde rolaria samba, black, funk, eletrônicos e Tom Zé.
No final da noite, me trouxeram (Mi e o namorado). Entrou para beber um copo d’água. Apagou no sofá. Só se deu conta de si com o sol invadindo a sala. Levantou, procurou seu quarto e achou tudo diferente. Teria sonhado? Acordou. Percebeu que não dormira na sua varanda. Foi ao banheiro, lavou o rosto.

– "Hora de ir para casa".
Pensou.
Lá fora, olhou pro céu, que estava azul-azul, sentiu no rosto aquele sol que repicava as folhas das árvores com um dourado quase abstrato.
– "Gente! Vamos pra uma cachoeira? Hoje tá com cara de cachoeira".

O namorado de Mi, que também apagou no sofá, não disse que sim, nem disse não. Somente olhou de lado, com uma cara de quem queria uma chuveirada gelada, dessas de trincar osso, cair na cama e dormir.
*À tarde, foram jogar futebol.