9.4.11

para o vizinho que me expulsa de casa...
eu também ouço música
e tento ler um livro.
vou ali caminhar...
a vida é maior
talvez o encontre no mundo
e faça uns versos.

7.4.11

de-janeiro

















todas as vezes que ouço gritos no sonho
acordo e recebo notícia 
de gritos provocados por tiros
isso me faz lembrar o mineirinho da clarice lispector
penso:
atirar para todos os lados
é muita vontade de matar

belo horizonte-okazaki | para Toshihiko Yamamoto


I could see the flowers in your garden
Nature is beautiful but ruinous, we reckon
Nothing left then but the joy of sitting by these flowers
and thinking about the evenings when we eat, drink, chat and beam
looking at them.

Toshi, your country is also mine.

Stay well, be fine.



versão para o inglês Eassis e Ana Carvalho

2.4.11

houve neste jardim um abismo entre dois corpos
ignorando um ao outro pensavam quase igual
aqui, longe de tudo e de todos,
olhando a relva adormeço
e sonho um lugar distante
onde a tristeza tenha fim
no dia em que suas asas estiverem curadas
meu bem, não fujas de mim

30.3.11

tenho a alma fortemente ferida
não sei como traçar novo destino
uma vontade de encontrar mais uma vez no infinito
as possibilidades de amar o ainda não vivido

24.3.11

lisboa-sevilha

















do amigo editor um cartão
feira de Sevilha, maio de 1973
no verso, apenas uma frase 
"aqui é outra coisa mais viva..."
e uma outra palavra que não consigo decifrar
se me permite,
aqui é outra coisa ainda mais viva...
de amar

22.3.11

para desfazer o mito
belo horizonte tem moças belíssimas
e moços ainda mais bonitos

ah como é bom caminhar pela cidade

encontrar no português da esquina
a juventude sem idade

como explicar

que sua pele é dourada
da cor da tarde?

pelas ruas sigo sorrindo

esperando o dia e a noite

de domingo

20.3.11


bom ouvir o trem
quando se chega em casa

a cama pronta para embalar
um sono tranquilo

e o corpo se põe a pensar
à espera do seu sorriso

aqui, tudo é lembrança
objetos fora do lugar

16.3.11

no estreito da cama
os corpos se encontram
e miram o infinto
quando dois se tornam um

Hilda sabe

antes de ser mulher sou inteira poeta

15.3.11

ainda que eu adormeça
o corpo permanece insone
e vela seu corpo
para que a primeira luz da manhã
não lhe queime a pele

12.3.11

Na cabeceira, O capital de Marx
O Aleph de Borges
O vermelho e o negro de Stendhal
A divina comédia de Dante
Mas o que impera é Do desejo de Hilda Hilst

Os livros são o mundo
Uma parcela de conforto
Nas noites sem fim
Em estado de vigília

Se o poeta insone é um apaixonado
Não há outra saída a não ser escrever
Para que os livros na cabeceira
Não possam morrer

10.3.11

Qual sentimento me governa?
A chuva trouxe a febre
Depois do carnaval e da alegria

8.3.11

Bloco do TchaTcha

Haverá salvação?
Debaixo de chuva
Nem os deuses puderam prever
Baco existe!
O deus da transgressão
Confetes e serpentinas
Diabinhas, diabólicas
Caciques e colombinas
Éramos muitos os mártires das ciências sociais

Viva Dionísio!


O Rafa TchaTcha
De cada dia
Dai-nos senhor 
Abençoai nossa folia 

bay Tcha Tcha! 
bay Tcha Tcha! 


 

5.3.11

haverá tempo para mais um poema?
quantas noites sem dormir
à espera de que a palavra dê conta
dos sonhos que não apaziguam a alma

se a ajuda tardar
talvez o tempo irá dizer
o mistério que há nas letras

já não sei o que escrevo, 
quando escrevo, 
se escrevo

toda a vida é infinita

3.3.11

das coisas pequenas




















apaixonei por um principezinho
que tem uma flor
e cuida dela

a flor é sua vida
meu coração repleto de afeto
pelo mundo deles dois

1.3.11

autocromo #13 -  por pedro portella



 



















aqui a vida é uma festa
muita gente
muita alegria
belo horizonte tem carnaval
todo dia

26.2.11














































----
Neste livro também Ana Carvalho e Carolina Junqueira
autocromo #12

Foi no carnaval que passou
Que a saudade se instalou
A vida hoje vai seguindo
Outro curso
Nova história
Não é para lhe fazer chorar

















---
para o Ronaldo

23.2.11

autocromo #11 - carta 15






















Recebi sua carta com satisfação
Os dias aqui estão muito quentes
A chuva vem para abrandar, mas dura pouco
Adorei a fotografia
O olhar fixo
De quem olha o presente
Gostei mesmo da fotografia
Nela percebo uma mulher
A mulher dos sonhos dele 


***

I've received your letter with satisfation 
The days here are really hot
The rain came, but it didn't last much
I liked that picture
The stared eyes
Of someone who stares at the present
I've really liked that picture
There I recognize
The woman in his dreams

 ----
  versão para o inglês: eassis 

21.2.11

esse vale de lágrimas


















enquanto falamos de mar e de amor
lá, na serra, o céu caindo sobre as cabeças
o que fazer?
encarar como uma guerra
uma guerra silenciosa
grito que não se ouve

18.2.11

na parede branca escrevo

és pura 
como a água que o rio recebe
levando para o mar
todo o encantamento

antes, deita sobre as margens 
seus versos que ora navego
do amor que sonho revelar
a lembrança das noites quentes
buscando no céu o abrigo das estrelas 
encobertas pela lua que brilha cheia

tantos livros para serem lidos
tantos chás que não fizemos

quantas plantas a casa ainda precisa?

és quente
como a cor da aurora
que toca o dia 
e sua escrita 

----
para ana martins

17.2.11

em frente ao mar
numa noite de chuva e triste
cantei um samba
pela beleza e alegria
que há em você

ana,
como todas as anas,
no nome também o seu inverso
como se não houvesse o outro lado
o avesso

queria que toda a dor se dissipasse
minha irmã querida
e que pudéssemos seguir
para sítios ainda não vistos
descobrindo o infinito que há nas coisas

vamos ana
e que tenhamos esperança
de um dia tudo encontrar
de não desperdiçar sorrisos
quando se quer chorar

segue ana
a sua fotografia
depois nos diz o que há nelas
perdoando a nossa ignorância
pois não se pode compreender tudo
e tudo saber

o que há em você
falta em mim
o que posso lhe dar
apenas uns versos
sem métrica
versos imperfeitos 

----
para anica 

16.2.11

bird

ele veio
como um pássaro de asa quebrada
veio para os meus braços
e pediu abrigo

ensaiando seu voo
para terras desconhecidas
pássaro-poeta
seu sorriso é o maior presente 



15.2.11

 autocromo #10 - por ana carvalho
 e uma *canção de ninar* para o joaquim 

















acalma o coração
e os pensamentos
em dias de aflição
tudo dorme
só não dorme o seu nome

durma, meu bem, durma um sono tranquilo
que o amor não tarda
e você descobrirá o infinito
entre o amar e ser amado por alguém

***

Soothe your heart
my heart and your feelings
in these days of ancient distress
apart from your name
everything sleeps

Sleep, my little one, sleep a halcyon sleep
for this love won't be long
and you will find the infinity which lies
amidst loving and being loved

---
versão para o inglês: eassis

14.2.11

autocromo #9 - por eduardo 

















ele colheu uma flor
para calar a tristeza
e seu corpo foi tomado pela esperança
de que lhe arrebatassem a alma

13.2.11

autocromo #8

ana e maria

queria escrever uma carta para vocês duas
para expressar a minha angústia
meu desejo de companhia

na minha carta,
além de um punhado de açúcar,
postaria o amor que sinto
por seus escritos e fotografias

um beijo
glaura


 
autochrome #8

ana and maria

I'd like to write you both a letter
to convey my distress
longing for company...

in this letter,
beside a pinch of sugar,
I would post the love I feel
for your writings and pictures.

kisses,
glaura

---

versão para o inglês: eassis

9.2.11

A casa de Neide é essencialmente sonora
As cigarras tornam a noite percussiva
Vou lá ver o mar
O mar é o amor que o vento carrega
e se encarrega de trazer
O mar é o amor lembrado

7.2.11


lá, onde o sol encontra o rio
a correnteza leva o passado
e transforma a tarde em noite
o tempo dilatado da espera

lá, onde o sol encontra o rio

não há pressa, nem verdades
da margem, sonhamos ver a lua
o presente tornado futuro

5.2.11

4.2.11

autochrome #3 - para a Nica



















"minha jóia querida"
assim o jovem soldado 
se dirige à mulher amada

2.2.11

autochrome #2  - para o Edu






















o seio direito
levemente adocicado 
que o vento possa trazer 
mais uma vez a alegria

1.2.11

autochrome #1


se um dia um pássaro
se um dia pudesse voar
se eu fosse um pássaro
poderia levá-lo, meu amor, 
para bem longe
beijar seu rosto
sentir o calor do seu corpo
num lugar onde não exista dor



31.1.11

Todas as vezes que o vejo aflito
Uma parte de mim se entristece
Tão sozinho num quarto escuro
Pensando a vida nos olhos dela
Do amor perdido, mas não esquecido
Resta então um sorriso
Assim todos os corpos passeiam no infinito
E quando a noite cair inteira
Busca, meu bem, uma estrela
A esperança de um abrigo

29.1.11

Insônia
O som do ventilador preenche o quarto
Há quanto tempo estou acordada?
O trem acaba de passar
Trazendo carga e pessoas
Seu delírio é minha alegria 
Embala o meu sono
Pedindo a noite que vai virando dia

28.1.11

Hipocondria
 
a garganta coçando
o ar faltando
o rosto parecendo um enxame
é estranho pensar que vai morrer
justo quando 
a garganta coça
o ar falta
e o rosto parece um enxame
o calor é tanto que a gente delira
já não se sabe os sintomas de uma intoxicação
o mundo começa a derreter
o que se espera é uma brisa
ou se refrescar no mar

27.1.11

                                              
Ela é cândida
Seu gosto leve e delicado
Uma pintura traduz seu espírito
Lenço amarrado nos cabelos
Deusa grega tornada sonho
O azul é a cor do mar

















  para Wild Wilde


noite quente
nela tudo dorme
só não dorme o meu amor
que o mar encontrou

noite quente
se um dia o deserto de minha vida
não mais mirar o oceano
que eu busque um sorriso
ao menos um sorriso
e nele desfaça toda a dor

noite quente
nela tudo dorme
só não dorme o seu nome
que o mar levou

26.1.11

Ponta de Lança  #2

                                                
 

O sertão que meu coração habita é por natureza 
Antropofágico
É pra lá que eu quero ir um dia
Entre os vales de mar e pedra
Terra de sol, terra salgada
Quando caminhar por uma trilha e encontrar uma vereda
Molharei os pés na água e cruzando os dedos
Hei-de amar um poeta 

um grande lagarto verde,
com olhos de pedra e água

Do lado de cá 
O sertão é ave rara, olhos de diamante  
Assim como os dos poetas
A devorarem parte da alma 

um atropelo de sinos processionais
no silêncio
lá fora tudo volta
à espetaculosa tranquilidade de Minas



24.1.11

Ponta de Lança  #1

Em outubro de 1954 morre
Oswald de Andrade
Passados mais de meio século, alguns ainda buscam o que seja um movimento de arte revolucionária
Um ideário estético engajado
Poetas desconfiados de si mesmos, insatisfeitos (Mário)
Há poeta satisfeito?
Passados mais de meio século, leio cartas dos modernistas aos seus companheiros
Na mesa o perfume Tarsila
Presente de 12 anos para minha sobrinha
Era para ir junto uma carta, um livro com gravuras, uma poesia
A tentativa de restituir um tempo que nem eu mesma vivi
Tarsila
é um perfume cítrico
Oswald reivindica na estante a não dependência da Europa européia
Da qual "nada podemos esperar"
A atenção voltada à América Latina
Que nos deu Neruda e Guillen
Hoje simplesmente flertamos
Seja qual for o continente, a ética ou estética
E não nos abismamos
Todo o mundo é que nos devora
 
Seu passado, o meu 
O frescor das laranjeiras  

 

23.1.11

na minha casa os gerânios crescem durante o dia
enquanto o seu sorriso atravessa as manhãs
e se instala no coração quando a noite se aproxima
colho os gerânios para a mesa do jantar
você vem e afaga o meu corpo
sentindo a vida pulsar no ventre

21.1.11

FLORBELA # 2

de tanto sonhar que dormia
um dia ela dormiu
mas deixou versos impagáveis
para que continuássemos sonhando 

Florbela,
é tão cedo morrer na sua idade?

19.1.11

busquei o amor e encontrei o mar
e o coração bateu como da primeira vez
há quem um dia compreenderá este sentimento
há quem leia Llansol e não encontre Pessoa
há quem pense que amar é fugir de si mesmo
há quem deseje simplesmente um lugar entre as montanhas
onde possa voltar


seu sorriso pela manhã é imensurável
meu corpo inteiro procura o seu todos os dias
mas você é ave rara
que voa sem destino
cortando o infinito

18.1.11

a saudade é tanta
que às vezes o coração repete 
e inverte o som do mar

9.1.11

8.1.11

FLORBELA #1




















Não sou eu, nem você, nem ela
Mas a força que vem de um lugar 
Não aquém, nem além
Apenas um lugar onde se possa lembrar 
Em cinza escrevo seu nome
A língua roçando o céu da sua boca

3.1.11

os poemas encontram um nome

quem é você
que meu corpo e alma possui
e dentro de mim transforma
sentimentos jamais compreendidos?

diz, você,
que tudo controla e conduz,
sobre meus pulsos envolvidos pelas suas mãos
sobre meus dedos a tocarem sua face lânguida

venha abrir a porta
e sentir o hálito da manhã
o vento a sussurrar palavras de amor
acariciando a pele

deita sobre mim nesta noite
tome o meu corpo como seu
hoje e sempre
buscando o sorriso rompendo a madrugada


 

2.1.11

Amigo amante 

o poeta esconde algumas referências não por descuido 
fingindo ignorá-las
sua escrita se instala nos porões da alma
foi assim mas nem sempre

que o poeta possa ser livre
para não mais esconder o que sente